domingo, 18 de março de 2012

3 gatos azuis



da série Gatos
acrílica e lápís aquarela sobre tela sobre mdf
84x45cm
R$ 3.200,00

quinta-feira, 15 de março de 2012

l'artiste peintre


do livro Nanquim (inédito)






Nessa série de desenhos, iniciada há vinte anos, retratei telas já pintadas, grafismos em serigrafia e alguns instrumentos de trabalho, como pincéis, ferramentas, mais brinquedos dos meninos, então crianças em meu então ateliê de casa. Os meninos cresceram, o ateliê é outro e outras são as telas, mas o conjunto não para de crescer. Nele mapeio o dia a dia do ateliê e exercito a linha - com o negro do nanquim - sempre a procura da cândida rosa.

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sábado, 10 de março de 2012

Venturelli, em andamento



Algumas telas têm que ficar pela metade, porque o essencial já se deu. Nunca percebo isso no ato, preciso de pelo menos um dia para compreender onde afinal cheguei. Esse dia às vezes vira um ano. A solução final ainda não está em mim, tenho que ter paciência e ficar bem atento. Distraidamente atento. Pode que a solução seja soparada inesperadamente pelo vento numa manhã qualquer do meu porvir.

É que tenho uma queda irreversível pelo desenho, pelas sucessivas camadas de carvão que vão se acumulando no algodão cru. Pode que seja um erro, que o melhor mesmo fosse seguir o fluxo do pincel em direção a sabe-se lá o quê. Mas seguir, concluindo de inequívoca conclusão a tela. E no entanto, o carvão diz o que seria uma pena cobrir com tinta.

Talvez o que esteja em jogo seja meu amor ancestral à melodia. Porque o desenho é melodia, enquanto a cor é harmonia. Quem me disse isso foi o Matias, certeiro, comentando a tela do cachorro. É que nesse momento de minha vida estou na divisa, cada vez mais sensível às harmonias, mais e mais entregue ao ócio das especulações - como se pode notar.

sexta-feira, 2 de março de 2012

o cão que te morde


o cão
óleo sobre tela
80x120cm

Depois de quase meio ano, terminei agora à tarde a tela do cachorro simbólico, com fundo vermelho-rosa coberto por uma membrana escamada branca. Embora deseje manter a pintura à superfície, faço tudo o que posso para torná-la densa, para que seu significado se dê no subsolo – onde nasce a obscura clareza dos iluminados por si mesmos. O que me importa é o sentido, o sentido denso de estar vivo, mas que ele se dê com uma certa ternura, ou pelo menos envolto em silêncio, esse silêncio misterioso que brota de alguns poemas e, com certa frequência, dos olhos daqueles com quem convivemos mais intimamente. À voluptuosidade da superfície, corresponder um subsolo ainda mais rico, cheio de verdades pressentidas, mas tão reais como esse sonho azul de céu que tenho agora sobre a cabeça, neste fim de tarde de 1º de março do ano de dois mil e doze.

No meu caso, as soluções plásticas só fazem sentido quando ancoradas no pressentimento maior das alegrias e agruras de estar vivo. Cada vez mais pinto o que pressinto.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Cenário Guinga 60 anos



Montagem do cenário que fiz para o concerto de Guinga, na data de seu aniversário, 10 de junho de 2010, no Teatro Guaíra, em Curitiba.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Vida longa à Aldeia do Beto



Renasce o espaço de gastronomia e cultura mais vivo da cidade de Curitiba. Depois de quase 13 anos injetando cultura de primeira nas veias da cidade, o restaurateur Robert Amorim inova rebatizando seu espaço, no Alto da XV, com o nome de Aldeia do Beto.

Mas isso é apenas a comissão de frente de uma série de intervenções culturais que vão surgindo como desdobramento de antigos carnavais. Animam a Aldeia, os desejos e inquietações de alguém que há mais de uma década desenha um caminho alternativo de incentivo à cultura. Um caminho cheio de riscos, mas por isso mesmo mais rico, belo e diverso do que o adotado pelas políticas oficiais de incentivo à cultura.

O Original Beto Batata, a crisálida que cumpriu um ciclo de mais de 12 anos, renasce no mês de março como Aldeia do Beto, com todo esplendor leve e solto de uma borboleta. Assim com naturalidade, como quem diz aos ares a que veio. 

Vida longa e intensa à nossa nova aldeia, a Aldeia do Beto!
  

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O vórtice do prazer


O vórtice do prazer
acrílica sobre tela
200x200cm
R$ 9.500,00

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

GUINGA 60 anos





fotos de Matias Dala Stella

Na noite do dia 10 de junho de 2010, aconteceu no Guairão, em Curitiba, o concerto GUINGA 60 anos. A ideia e a produção do concerto foi de Robert Amorim, que conseguiu reunir no palmo um time inesquecível: Paulo Sérgio Santos, Marcus Tardelli, Lula Galvão, Gabriele Mirabassi e Guinga, o homenageado da noite. A apresentação foi a um só tempo comovente e impecável. Delicadamente comovente e delicadamente impecável. A música de Carlos Althier de Souza Lemos Escobar fluiu com uma força e com um frescor inesquecíveis. É um milagre a música desse carioca. Para a ocasião fiz os cenários e o material gráfico, como cartazes e banners. Aqui vai uma pequena mostra, infelizmente silenciosa, daquela noite.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Emily Dickinson / 2


Pisei Tábua após Tábua
Lenta e cautelosamente.
Sobre a Cabeça, as Estrelas
E o Mar, sob os Pés.

Sem saber se o próximo
seria o último passo –
Vem daí minha Marcha incerta
Que alguém chama Experiência.


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I stepped from Plank to Plank
A slow and cautious way
Tha Stars about my Head I felt
About my Feet the Sea.

I Knew not but the next
Would be my final inch –
This gave me that precarious Gait
Some call Experience.

Tradução de Carlos Dala Stella

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Emily Dickinson


Sou ninguém! E você, é quem?
Ninguém – também?
Então formamos um par?
Fale baixo – seríamos condenados!

Que tristeza – ser Alguém!
Que Celebridade – a do Sapo –
coaxar o próprio nome –
para as cintilâncias do Banhado!



I’m Nobody! Who are you?
Are you – Nobody – too?
Then there’s a pair of us?
Don’t tell they’d advertise – you know!

How dreary – to be – Somebody!
How public – like a Frog –
To tell one’s name – the livelong June –
To an admiring Bog!

Tradução de Carlos Dala Stella

Que me perdoe Augusto de Campos, com sua bela e erudita tradução desse poema de Emily Dickinson, mas de anonimato entendo eu.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

poemas de madeira / 4









Estas esculturas, chamo-as de poemas de madeira porque seu sentido me escapa, porque de alguma forma elas me devolvem a um espaço de essencialidade onde o mundo se resume ao rés do chão. E à delicadeza densa que há nele, simples como a madeira, como uma pedra, inequívocas.

Estas esculturas, elas são feitas de bambu, barbante, madeira, pedra e papel arroz. Quase todas foram surgindo de sonhos, de visões fragmentadas que depois tento recuperar, não como quem costura pedaços avulsos. Mas tentando sempre me manter fiel a uma impressão geral que esses sonhos causam em mim. 

Estas esculturas, me surpreendo a cada instante quando trabalho nelas, com o rumo que as coisas vão tomando, imprevisto, apesar de um fio guia intuitivo que me alimenta. O sentido que há nelas, procuro tocá-lo desprovido das palavras, mas com as mãos todas dos olhos, tateantes. Com um medo tremendo que sua fragilidade se perca. E agradeço pela leveza com que elas se dão.   

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Eugenio Montale, 2

Cada poema traduzido me custa meses. Pela dificuldade de encontrar a palavra que melhor traduza aquilo que, imagino, o autor quis dizer; e de fazê-la ocupar seu lugar preciso no corpo do poema vertido para a língua portuguesa. Sem essa integridade semântica, que dá à versão de certos poemas uma autonomia misteriosa, nenhuma tradução vale a pena. Todo bom poema é um corpo vivo, um enfeixamento inequívoco de significados em tensão permanente. Recriá-lo em outra língua é uma operação delicada e a língua portuguesa oferece um arsenal amazônico de delicadezas, muitas delas ainda indomadas. Além das dificuldades tantas vezes apontadas. Embrenhar-se nessa empreitada significa expor-se a dificuldades intransponíveis, mas com que prazer ela permite nanusear o corpo da língua portuguesa. 

Por isso, quando no início dessa semana li que Nikos Kazantzakis, além da vastidão do que escreveu, ainda traduziu a Divina Comédia, a Ilíada, Fausto, Otelo, os poetas espanhóis modernos e Tagore... fiquei envergonhado e decidi retomar ainda uma vez a tradução do poema Minha musa, de Eugenio Montale, não como "remédio seguro contra o tédio", segundo as surpreendentes palavras do escritor grego, mas pelo prazer miúdo de transplantar uma nova espécie para o jardim semântico da língua portuguesa.


MINHA MUSA

Já vai longe minha musa: talvez
nunca tenha existido (como crê a maioria).
Mas se uma houve, veste trapos de espantalho
improvisado sobre o tabuleiro verde das videiras.

Esvoaça como pode; resistiu ao vento
ficando reta, só um pouco inclinada.
Se o vento para, continua a agitar-se
como se me dissesse: caminha sem medo,
enquanto te puder ver, terás vida.

Minha musa há muito deixou um armário
com trajes de teatro; saía dele o refinamento
com que se vestia. Um dia se encheu de mim
e se foi, orgulhosa. Hoje ainda resta uma manga;
com ela dirige um quarteto de sopros,
a única música que suporto.



LA MIA MUSA

La mia Musa è lontana: si direbbe
(è il pensiero dei più) che mai sia esistita.
Se pure una ne fu, indossa i panni dello spaventacchio
alzato a malapena su una scacchiera di viti.

Sventola come può; ha resistito a monsoni
restando ritta, solo um po’ ingobbita.
Se il vento cala sa agitarsi  ancora
quasi a dirmi cammina non temere,
finché potrò vederti ti darò vita.

La mia Musa ha lasciato da tempo un ripostiglio
di sartoria teatrale; ed era d’alto bordo
chi di lei si vestiva. Un giorno fu riempita
di me e ne andò fiera. Ora ha ancora una manica
e con quella dirige un suo quartetto
di cannucce. È la sola musica che sopporto.

Tradução de Carlos Dala Stella

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

vir a ser


como custa a passar
o tempo que não para
um segundo de me escapar

como custam a fluir
esses minutos que a noite
logo vai engolir

como custam a secar
as vagens vazias das horas
sempre indo embora

como custa a transcorrer
esse dia que me faltará
pouco antes de morrer

quanto desperdício
me custa o vir a ser

poema inédito de Carlos Dala Stella

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

sábado, 24 de dezembro de 2011