terça-feira, 2 de abril de 2013

Eugenio Montale / 5


Ser como a pinha
desfolhada dos pinhões
enfim entregue à neutralidade
das cascas falhas
sem equívoco de identidade. 

Boa para o fogo
que tudo consome com sofreguidão.
Sem saber nadica de nada
do vasto e vão
mundico de si mesma.


Acordei madrugada adentro, absolutamente siderado pelo silêncio da noite e - depois de dar volta ao mundo, sem sair do quarto - abri Eugenio Montale justo no antepenúltimo poema de seu último livro, Quaderno di quattro anni. Li, reli, tresli. Impossível abrir aquela cápsula viva de significado sem desmontá-la irremediavelmente. E então, como resultado desse esforço, a transubstanciação feito poema me veio. Mas também como resultado de uma vida inteira de involuntária e contínua desidentificação. Transcrevo aqui ambos os poemas.


Spenta l'identità
si può essere vivi
nella neutralità
della pigna svuotata dei pinòli
e ignara che l'attende il forno.
Attenderà forse giorno dopo giorno
senza sapere di essere se stessa.

Eugenio Montale

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

cardápio 4 / Aldeia do Beto


Sexta-feira próxima, dia 01 de março,  a partir das 19h, tem lançamento dos cardápios que fiz pro Aldeia do Beto, lá no antigo Beto Batata do Alto da XV. Foram 500 intervenções originais sobre um projeto gráfico feito ano passado. 40 exemplares com desenhos, fotografias, recortes, colagens, poemas... Tudo pra pegar na mão - com delicadeza.