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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

CADERNOS DE ATELIÊ / NEBULA

Esse mini doc sobre meus cadernos de ateliê foi feito por Victor Spadotto e Leo Bourscheid, do canal Nebula, a quem sou grato pela generosidade da iniciativa e pela delicadeza do resultado. 

Os cadernos são um filão que abri, sem saber, lá no início da adolescência. Desde então trabalho neles, em torno de 15 mil páginas, com desenhos, recortes, aforismos, reflexões sobre artes plásticas e literatura, sonhos e sobretudo poemas. Lá está a raiz de O caçador de vaga-lumes, O gato sem nome, Bicicletas de Montreal e Quer Jogar?, entre outros livros. É um pouco desses cadernos que dividimos com você. 

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

caderno de ateliê 61 / 17














And now the final frame. Com esta cabeça em dobradura fecho o diário de ateliê 61. No verso desse recorte, na última página, um pequeno poema/aforisma:

                              POTERE

                              tu sei al mondo
                              perchè c'è posto
                              dice l'uccellaccio
                              all'uccellino
                                                                                
Inédito de Dala Stella

domingo, 2 de outubro de 2016

caderno de ateliê 61 / 15




Seria possível continuar desenhando pelo resto da vida. Cada desenho é uma passagem, de um ímpeto para outro ímpeto. No corpo de cada ímpeto, por menor que ele seja, há sempre uma vastidão sem sentido de eternidade. Desenhar é fazer conjeturas e refutações sobre um sentido momentaneamente eleito, para logo em seguida partir para nova tentativa, e assim sucessivamente até que a roda nos pareça redonda o suficiente. Quem vê de fora vê desenhos; quem vê de dentro não vê, sente-se fluxo, entre acidentes pacientemente elaborados ou inesperados. Cada desenho é uma passagem; quando alguém entra, não estamos mais lá, mas alguém vai nos representar.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

caderno de ateliê 61 / 13




























E assim esses rostos da última quinta parte do caderno vão se afastando mais e mais dos primeiros, sobras dos recortes para o livro BILHETES PARA WALLACE, de Paulo Venturelli. Quando menos esperava, esse barbudo picasseano sobre azuis de Ianelli. Ainda uma vez lembro de Poty: descarregos, esses recortes são meus descarregos, quando estou de varde, entre uma tela e outra, entre um poema e outro. Como o livro das bicicletas, como o livro dos jogos, volto que volto às variações sobre o mesmo tema. São minhas chaconas - que ofereço aos curiosos que eventualmente passarem por aqui.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

caderno de ateliê 61 / 8




Essa série, que chamo de Retratos de Killalusimeno, vai tomando todo o diário de ateliê 61. Cada um deles nasce de uma gratuidade, desse sem-sentido silencioso que abre buracos nas horas. Qualquer coisa serve de ponto de partida, a mínima sujeira na mesa, os dedos pretos de pierre noir, um pedaço de papel no chão, um olhar pela janela, uma linha de criança, um livro de pintura, uma fala ao telefone. Tanto o ímpeto para a alegria como o cansaço servem de combustível. O mais é ilusionismo, estética, inspiração.

domingo, 18 de setembro de 2016

caderno de ateliê 61/ 7





Embora essa seja a terceira capa do diário de ateliê 61, trabalhei nela quando ainda não tinha chegado à metade do caderno, com sobras de um recorte interno. É sempre assim, basta abrir uma porta e as passagens vão se multiplicando indefinidamente. Seria possível passar o resto da vida abrindo portas, atravessando cômodos. Em cada um deles deixando uma vela acesa.