Notícia boa: projeto gráfico do livro RETRATOS, desenhos de admiração, Ed. Maralto, sendo finalizado pela querida Raquel Matsushita. Mais de uma centena de retratos, em várias técnicas, e 29 textos reflexivos. O livro deve sair no próximo ano, fechando minha TRILOGIA INCONJUNTA. Na capa, uma das poetas que admiro tanto, de trajetória vertiginosa mas fulgurante: Ana Cristina César.
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2020
sábado, 16 de fevereiro de 2019
Recriações / Picasso 3

O retrato caiu em desuso, o retrato de ateliê, com tinta, grafite, arame, argila. Não entre as crianças, felizmente, nem entre os pintores de final de semana. Talvez por conta da abstratização nem tanto da arte em si, iniciada há cem anos, mas do discurso artístico mantido vivo ainda hoje no grande circuito das bienais, galerias e leilões mundo afora. De qualquer modo, o retrato resiste num mundo meio à parte. Tomar o rosto de alguém como pretexto para um trabalho, e não se trata mais do que isso, significa explorar uma topografia riquíssima, à qual subjaz um substrato ainda mais rico de possibilidades. Esse jogo de desvelamento, por mais velozmente que se resolva, embora possa durar dias intermináveis, esconde a construção compósita de um rosto espelhado, misto do que vemos a nossa frente e do que supomos ver, feito de nossas próprias marcas de identidade, incluídas as idiossincrasias. Explorar essa pequena baía é um prazer; não há paisagem humana tão adensada de sentidos. Não chega a ser um grande prejuízo os retratados quase nunca ficarem satisfeitos com o resultado. A exploração plástica já coletou uma vértebra que seja do inominável que supomos estar descobrindo.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2018
PAULO LEMINSKI / da série Retratos
1 O processo de apreender um rosto, em mim, se dá durante e não antes do desenho. Quanto mais desenho, mais compreendo, ou tenho a ilusão de compreender, determinado olhar, mais apreendo um determinado sorriso, ambíguo e discreto. Como se o traço corresse a par e passo com o pensamento, separados, mas em sincronia. Por isso faço pequenas sequências de um ‘retratado’, para me dar tempo. O primeiro normalmente sai mais espontâneo, contradizendo a tensão inicial, o último mais sintético. Mas não há uma regra fixa.
2 No primeiro desenho a gente quer dar conta de todo o rosto, esquecendo que apenas alguns de seus traços lhe conferem a marca simplificada com que ele é visto. O bigode em Leminski, o sorriso discreto, gozoso. E um certo modo de olhar, sempre armando o que virá depois, a leveza inteligente do último verso. Desenhar um rosto é fazer escolhas, mas num nível quase inconsciente. Às vezes penso que apenas a mão guarda certo grau de consciência.
3 E no final a síntese, quase um processo de desmonte. O rosto reduzido a uma membrana de percepção, mais ou menos certeira, mais ou menos equivocada. Mas sempre um artefato simplificado de linhas. Pode que o Leminski mais jovem pareça mais seguro, mesmo o riso é de uma natureza mais controlada, o rosto antes do desmonte - que a vida impõe. O que importa no entanto é tomar o rosto de carne e osso como pretexto para a especulação do desenho.
2 No primeiro desenho a gente quer dar conta de todo o rosto, esquecendo que apenas alguns de seus traços lhe conferem a marca simplificada com que ele é visto. O bigode em Leminski, o sorriso discreto, gozoso. E um certo modo de olhar, sempre armando o que virá depois, a leveza inteligente do último verso. Desenhar um rosto é fazer escolhas, mas num nível quase inconsciente. Às vezes penso que apenas a mão guarda certo grau de consciência.
3 E no final a síntese, quase um processo de desmonte. O rosto reduzido a uma membrana de percepção, mais ou menos certeira, mais ou menos equivocada. Mas sempre um artefato simplificado de linhas. Pode que o Leminski mais jovem pareça mais seguro, mesmo o riso é de uma natureza mais controlada, o rosto antes do desmonte - que a vida impõe. O que importa no entanto é tomar o rosto de carne e osso como pretexto para a especulação do desenho.
domingo, 27 de maio de 2018
Niobe Xandó, da série RETRATOS
Colagem a partir de foto de Niobe Xandó, artista brasileira para quem escrita e pintura são indissociáveis. Com ela dou prosseguimento à série de retratos, iniciada há trinta anos, de artistas que admiro, vivos e mortos, brasileiros e estrangeiros, escritores e pintores, amigos próximos ou distantes.
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
Claire Varin
A canadense Claire Varin é escritora e especialista em Clarice Lispector, além de jornalista e tradutora. Apaixonada pelo Brasil, tem seu nome ligado visceralmente ao da escritora brasileira.
Em 2002 a editora Limiar publicou seu livro Línguas de Fogo, traduzido por Lúcia Peixoto Cherem.
Com esses desenhos de Claire Varin dou continuidade à série de retratos que fui compondo ao longo do tempo. Nela incluo pessoas por quem nutro grande admiração, mais ou menos conhecidas. A ideia é que esse conjunto um dia vire um livro, uma pequena exposição, quem sabe...
Mais e mais os retratos me permitem exercitar uma linha que de outra forma eu não saberia como exprimir. E a linha, uma única linha, guarda possibilidades incomensuráveis de investigação do humano. É uma pena que o desenho, especialmente o desenho de um rosto, tenha se tornado tão obsoleto no período que há décadas chamamos, sem constrangimento algum, de contemporaneidade - como se em outros tempos as pessoas não tivessem sido contemporâneas de si mesmas.
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Les vieux fous de dessins
Quanto mais desenha, mais você toca, tateante de cegueira, a superfície do mundo. E vê pela linha, pela mancha negra, o que não via antes. E o que se vê desce até o reino escuro das raízes, e flui com os lençóis d'água, e se mineraliza com as pedras, e se aquece no núcleo quente da terra. Quando desenha, você está dispensado de fazer sentido, você é o sentido, uno e indiviso. E o que resulta disso é uma imensidão silenciosa de amor à vida.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
AUGUSTO
meu pai
assim que começava a chover
se metia no banco detrás do fusca
com um travesseiro
para dormir ao som dos pingos
tamborilando na lataria
não conheci ninguém que vivesse
com tanta desenvoltura
quanta falta me faz
um mundo menos complicado e violento
vivo da simples ternura de viver
inédito Carlos Dala Stella
assim que começava a chover
se metia no banco detrás do fusca
com um travesseiro
para dormir ao som dos pingos
tamborilando na lataria
não conheci ninguém que vivesse
com tanta desenvoltura
quanta falta me faz
um mundo menos complicado e violento
vivo da simples ternura de viver
inédito Carlos Dala Stella
segunda-feira, 18 de março de 2013
terça-feira, 25 de setembro de 2012
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Dalton Trevisan
O coração da alcachofra
Li Desgracida em
São Paulo, de madrugada. A outra metade no final da manhã, ainda na cama.
Encantado com o peixe vivo no extremo de cada linha. Quanto mais curto o verso,
mais certeira a punhalada de lírios e rosas. E um espanto me rondando, como é
possível essa vivacidade ininterrupta, aguda de doçuras e espelhos?
Se o contista é uma alcachofra de folhas chupadas, o que
sobra no prato da página é o melhor: o coração da alcachofra. Quando antes um
ponto final tão lúcido na literatura brasileira? Só em Machado, mas nele faltou
a doçura que em Dalton matiza toda ironia.
E isso agora, essas cartas fechando o volume, mal traçadas
linhas? Só a primeira, dirigida a Pedro Nava, vale por uma oração. Vai nela um
elogio tão sincero, de grandeza tão desmedida, que nos vemos no encontro de dois
imensos rios. Do gênio do Negro e do Solimões, surge o Amazonas que nos banha a
todos.
E quando desce o ferro em O General em seu Labirinto? Só a ponta da lança, o veneno sem
adjetivo. Quanta distância dos cenográficos andaimes da crítica de jornal. No
lugar da pose, a auto-ironia de arara bêbada. No lugar do ventriloquismo
exibicionista, a pedrada contra a lei morta do silêncio.
A cada página de alegria tão desgracida, a certeza como um
tônico. Morar nessa cidade, sabendo que Dalton vive nela, redobra meu ânimo.
Incrédulos, que Belém que nada, o Amazonas passa por aqui.
sábado, 19 de maio de 2012
Pierre-Auguste Renoir
Com esse desenho de Renoir dou continuidade à série de retratos que fui compondo ao longo do tempo. Nela incluo pessoas por quem nutro grande admiração, mais ou menos conhecidas. A ideia é que esse conjunto um dia vire um livro, uma pequena exposição, quem sabe...
Mais e mais os retratos me permitem exercitar uma linha que de outra forma eu não saberia como exprimir. E a linha, uma única linha, guarda possibilidades incomensuráveis de investigação do humano. É uma pena que o desenho, especialmente o desenho de um rosto, tenha se tornado tão obsoleto no período que há décadas chamamos, sem constrangimento algum, de contemporaneidade - como se em outros tempos as pessoas não tivessem sido contemporâneas de si mesmas.
terça-feira, 10 de abril de 2012
António Pinho Vargas
Fiz esse retrato ainda sob o impacto da música desse maravilhoso compositor português, que descobri só hoje (que vergonha!), graças aos descaminhos e acasos da internet. Dança dos Pássaros é maravilhosa, e Fado Negro, e As Mãos... Sua interpretação de Live, de Tom Waits, é sublime. António Pinho Vargas, é esse o nome da mais pura harmonia portuguesa para piano.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Robert Amorim, com o gorro russo do Gabito
Mais um desenho da série retratos - este feito com pedaços de bambu quebrados ao acaso, como pincéis. Nessa série, retrato pessoas que admiro, artistas todos, cada um a seu modo. Quanto mais desenho, mais compreendo Hokusai.
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
sábado, 18 de junho de 2011
domingo, 22 de maio de 2011
3 autorretratos
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Cristovão Tezza
Em 2003, fiz uma série de retratos de Cristovão Tezza, para o que seria seu site, presente de aniversário de um grupo de amigos. Posto aqui as variações quase completas. Mais um desenho do Cristovão cozinheiro, enviado como cartão postal, quando ele estava fora do país.
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