sexta-feira, 25 de julho de 2014
quinta-feira, 24 de julho de 2014
AUGUSTO
meu pai
assim que começava a chover
se metia no banco detrás do fusca
com um travesseiro
para dormir ao som dos pingos
tamborilando na lataria
não conheci ninguém que vivesse
com tanta desenvoltura
quanta falta me faz
um mundo menos complicado e violento
vivo da simples ternura de viver
inédito Carlos Dala Stella
assim que começava a chover
se metia no banco detrás do fusca
com um travesseiro
para dormir ao som dos pingos
tamborilando na lataria
não conheci ninguém que vivesse
com tanta desenvoltura
quanta falta me faz
um mundo menos complicado e violento
vivo da simples ternura de viver
inédito Carlos Dala Stella
terça-feira, 10 de junho de 2014
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Eugenio Montale / 9
AMIGOS
Poema de Eugenio Montale, Altri Versi
Não caiam nessa de anos-luz
de tempo-espaço curvo ou plano.
A verdade nada em nossas mãos
mas como fisgar a viscosa enguia
se nem os mortos o conseguiram?
Talvez para não repetir a sina
difícil e inútil dos vivos.
Amici, non credete
agli anni-luce
al tempo e allo spazio
curvo o piatto.
La verità è nelle
nostre mani
ma è inafferrabile e
sguiscia come un’anguilla.
Neppure i morti
l’hanno mai compresa
per non ricadere tra i viventi, là
dove tutto è difficile, tutto è inutile.
Poema de Eugenio Montale, Altri Versi
Tradução de Carlos Dala Stella
Algumas raras entrevistas com Eugenio Montale foram disponibilizadas na internet nos últimos anos. Em todas o poeta conjuga lucidez, concisão e ironia, sem nenhuma pose. Às vezes ele parece dialogar com sua posteridade, tratando de questões ainda hoje tão mal resolvidas, como a distinção entre poesia e prosa, encalhada há décadas na disneylândia do dialogismo da linguagem. Vale a pena conferir.
Algumas raras entrevistas com Eugenio Montale foram disponibilizadas na internet nos últimos anos. Em todas o poeta conjuga lucidez, concisão e ironia, sem nenhuma pose. Às vezes ele parece dialogar com sua posteridade, tratando de questões ainda hoje tão mal resolvidas, como a distinção entre poesia e prosa, encalhada há décadas na disneylândia do dialogismo da linguagem. Vale a pena conferir.
terça-feira, 22 de abril de 2014
Eugenio Montale / 8
A VERDADE
A verdade rói como traças e ratos
está no pó das gavetas cheias de mofo
na casca seca do grão.
A verdade é sedimento, estagnação
nunca a logorreia insulsa dos dialéticos.
É teia de aranha, durável
até que você passa a vassoura.
Blefam os escoliastas dizendo que tudo
está em movimento. Faz água
por todos os lados a ideia de que depois
do antes sempre vem um depois.
Sorte do néscio que não embarca nessa.
Vivemos melhor sem eles, ou talvez pior
mas recobramos o fôlego.
LA VERITÀ
La verità è nei rosicchiamenti
delle tarme e dei topi,
nella polvere ch'esce da cassettoni ammuffiti
e nelle croste dei 'grana' stagionati.
La verità è la sedimentazione, il ristagno,
non la logorrea schifa dei dialettici.
È una tela di ragno, può durare,
non distruggerla con la scopa.
È beffa di scoliasti l'idea che tutto si muova,
l'idea che dopo un prima viene un dopo
fa acqua da tutte le parti. Salutiamo
gli inetti che non s'imbarcano. Si starà meglio
senza di loro, si starà anche peggio
ma si tirerà il fiato.
tradução de Carlos Dala Stella
quinta-feira, 17 de abril de 2014
dois moinhos sobre R. Colares
Dois recortes sobre reproduções do mineiro Raimundo Felicíssimo Colares, autor de maravilhosos 'gibis'.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
VEREDITO
deu na gazeta de hoje: o assassino
de Wilson Bueno foi absolvido
por 4 votos a 3 e não cabe recurso
Wilson Bueno foi três vezes
condenado: por Cleverson Schmitt
autor da facadafatal no pescoço
pelo tribunal do júri e pelo silêncio
conivente da mídia local
é a regra: o poder instituído não
tolera a rosa em botão do homem
poema inédito de Dala Stella
sábado, 15 de março de 2014
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
domingo, 26 de janeiro de 2014
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
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