sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Borboleta no ateliê


Mulher-pomba com violão

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Morro de medo que a música me falsifique, tanto ela afetiva minha cognição. Sem música eu estaria meio morto, meio vivo. E entre todos os instrumentos, o violão é o que troca confidências comigo. Sem que eu me aperceba, ele sussurra segredos que fazem sorrir o coração, ou doer fundo n'alma.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Templo Zu Lai

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1 Mesmo na fotografia, a realidade é sempre subjetiva. O que se vê, o que a câmera recorta, é nossa visão subjetiva do mundo. Fora dela o mundo não faz sentido. Quanto mais olho para fora, mais mergulho na superfície oceânica de mim mesmo. Se a foto é boa, se o olhar é bom, esse paradoxo é inesgotável.
Quando fotografo, lido com o enorme prazer de ver o mundo, e de recortar essa visão em fragmentos. Para quê? Para nada, pelo simples prazer de me sentir vivo, de me saber disponível para os olhos, para o móbile que há neles. Fotografo pelo simples prazer de manipular a superfície visível do mundo, a ínfima partícula da superfície que me cabe.
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Gabriel sonhando

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Esse menino, me surpreendo como cada vez mais ele está vivo pelo olhar. A miopia lhe abriu um mundo de delicadezas miúdas, desde cedo. E agora, aos poucos, ao usar câmeras fotográficas, ele me devolve um mundo de larguezas que eu não suspeitava. A delicadeza continua, mas agora de mãos dadas com um buquê de surpresas, como o humor, um humor com cheiro de alecrim. Aos poucos vou postar aqui fotos suas, embora algumas tenham que ser digitalizadas.
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Tenho um projeto de livro de fotografia, imaginário, cujo título é Alegrias do Mundo. Numa pasta improvisada, guardo uma série de fotos de tudo que me é mais caro, que mais me toca nessa vida. Animais, grafismos, sombras, muros, nuvens, e sobretudo pessoas. Além de outras tantas dispersas por aí, em outras pastas ou arquivos. Em várias, Gabito está sorrindo, com os olhos fechados, sorrindo e sonhando. Nenhuma beleza se compara a substância floral dos sonhos de uma criança.
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

entrevista no ateliê





Hoje, às 21h vai ao ar a entrevista que dei ao programa Enfoque, da RTVE do Paraná. Ao contrário das outras vezes, a entrevista foi gravada no próprio ateliê. Nela falo rapidamente de 4 projetos para este ano:

  • a publicação do livro Quer Jogar?, pelo SESC SP
  • a exposição de telas e fotografias, na ARTE APLICADA
  • os desenhos para o segundo volume do livro BRINCA CIÊNCIA
  • e o livro CEGOS como EU, de poemas, fotos e desenhos

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

recortes

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Atacar o papel com o estilete, sem estudo, camada a camada, compondo harmonias abstratas, é uma das maiores alegrias de minhas mãos. Frequentemente edito o recorte, refazendo a ordem das lâminas; com esse jogo aprofundo a busca por certo rigor, além de extrair dele prazer e permitir que atue a mão deificada do acaso.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Dados

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Do livro Quer Jogar?, inédito, em co-autoria com a arte-educadora Adriana klisys, a ser publicado pelo SESC SP. Fotos de Joel Rocha.

Empinando pipa

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Como os dois desenhos abaixo, do livro inédito Quer jogar?

bolha de sabão

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Como a imagem abaixo, do livro Quer Jogar?, inédito.

chung toi

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Do livro inédito Quer jogar?, em co-autoria com a arte-educadora Adriana Klisys, a ser publicado pelo SESC SP. Foto de Joel Rocha.

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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

tela vermelha

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A alegria do filho toca a alegria do pai
120 x 240 cm
Acrílica sobre tela
  

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

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José Castello







Quando desenho um rosto, nunca deixo de buscar certa semelhança, mas seria uma tolice reduzir um retrato a essa aspiração. Desenhar um rosto significa expressar a visão que se tem dele, visão que muitas vezes se impõe, alheia à porção mais evidente da vontade. E se não fosse assim, o que se conseguiria é a bagatela de uma caricatura.
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Um retrato realmente vivo é sempre a expressão de uma visão subjetiva - desse mistério que é um rosto, que são todos os rostos. Por isso, mais do que redundante é ingênuo dizer que um retrato guarda algo do pintor ou do desenhista. O que importa é que as linhas respirem por conta própria, e que resultem desse amálgama entre Um e Outro, que em dado momento se encontraram.
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Conheci José Castello através de um amigo. Pouco depois ele escreveu sobre meu livro Bicicletas de Montreal, no Rascunho. Seus livros e resenhas mapeiam boa parte da literatura brasileira - com uma sensibilidade e com uma agudeza intelectual admiráveis. E com uma desenvoltura no manejo da escrita de dar inveja. É sempre um enorme prazer ler seus textos críticos ou ficcionais. São fundamentais seus retratos de escritores.
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A casa da amoreira






O Picasso de Edward Quinn
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Acabei de comprar num sebo de Sampa o livro Picasso à l'oeuvre, com fotografias de Edward Quinn, que acompanhou o artista entre 1952 e 1965, de Vallauris até sua última residência, em Mougins. A parte a curiosidade pelo trabalho do pintor, que continuo sentindo, comprei o livro pela qualidade das fotos, quase todas em preto e branco.

.Vendo uma boa foto em pb, sinto o mesmo que ao assistir um bom filme de silêncio: na redução de recursos de ambos está sua riqueza. Meu olho se concentra mais e como consequência lê melhor o que vê. Enxergo melhor a luz e a sombra, e intuo o que juntas elas dizem. Para além do evidente volume, as fotos pb acrescentam ao mundo uma intensidade humana cheia de nuances, segredos, silêncios - trama dificilmente captada, ou construída, pela fotografia colorida.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Paisagem


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A paisagem, esse tema recorrente na história da pintura, continua a despertar um enorme interesse, e não apenas entre os pintores de finais de semana. David Hockney é um exemplo que me vem à mente, com suas paisagens moduladas do Grand Canyon e suas aquarelas de Yorkshire.

Frequentemente uma paisagem pode ser reduzida ao esqueleto estrutural que a sustenta. Com esse desenho reduzi uma de minhas paisagens ao essencial, a essa ossatura de passarinho. Embora alguns elementos tenham ficado de fora, essa variação em nanquim da tela caminha em direção à rarefação do contexto - tema que tem despertado meu interesse há anos. Tanto no desenho como na poesia, quanto mais se tira, mais denso fica o núcleo.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O ovo do amor

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Tudo o que voa

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Que importa a tristeza, se podes fabricar asas e voar? Parangolés, guarda-chuva laranja, pipa no céu azul, ícaros, os olhos que saltam do último andar... não importa como. Os braços abertos, no butô, delicadeza retorcida, tão simbólica como o cipó do maracujá que vejo pela janela. Como esquecer tudo o que voa?
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Nanquim

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Explorar o mesmo tema com materiais e técnicas diferentes é um prazer para a cognição. Aquilo que a colagem diz, o desenho não pode dizê-lo. A primeira é rica em associações, a segunda em rarefação e delicadeza. Respira-se menos com o desenho, mas mais essencialmente. A colagem é um jogo. A força que uma tela pode expressar, sua densidade material, como dizê-la com a fotografia. A fotografia traz o mundo para a epiderme. E o prazer de tocá-la, com os olhos, em tudo é diverso do prazer de tocar, ainda com os olhos, a materialidade de uma tela. Percorrer esse trajeto, investigando o mesmo tema, é uma de minhas alegrias. Desejaria que ele fosse capaz de dizer o que eu não.