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segunda-feira, 13 de março de 2017

A ALMA SECRETA DOS PASSARINHOS de PAULO VENTURELLI


A sensibilidade delicada de PAULO VENTURELLI é peça rara no quebra-cabeças da literatura nacional. Independentemente do tema, ele toca na palavra com um cuidado e com um ardor inventivo que fazem dele um poeta da linhagem de Mario Quintana e Manoel de Barros, especialmente quando escreve ficção, como nesse A ALMA SECRETA DOS PASSARINHOS. A inspiração e o labor resultam tão imbricados que seria impossível separá-los. Em tempos de maniqueismo e barbárie, como o presente, a literatura de VENTURELLI é uma manhã de frescor em nossas vidas.


terça-feira, 12 de maio de 2015

PÊ E O VASTO MUNDO / PAULO VENTURELLI



Sábado próximo, dia 16, às 16h, Paulo Venturelli lança na Livraria Cultura seu livro PÊ E O VASTO MUNDO, pela Editora Positivo. O livro é ilustrado pela iraniana Fereshteh Najafi, que vem ao Brasil especialmente para o lançamento. 

Transcrevo a seguir e-mail meu, a pedido do próprio Venturelli, sobre nossa amizade e uma pequena parcela do que penso da grandeza de seu trabalho.


De: Carlos Dala Stella [mailto:cdalastella@yahoo.com.br]
Enviada em: quinta-feira, 16 de abril de 2015 21:07
Para: Paulo Venturelli
Assunto: contentamento

Paulo, querido
 
Fico muito contente com a repercussão de teus livros, cada vez mais fazendo parte da identidade artística do país, e mesmo social, já que quando inventamos estamos envolvidos por esse acordo sempre cambiante a que chamamos realidade. Aos poucos, mas agora de modo irreversível, o que você imagina aí, em sua biblioteca, vai ganhando o Brasil, virando a realidade diária de outras pessoas, que te leem e estudam. Nada mais merecido, num país de tanto desmerecimento, especialmente pra quem vive fora do eixo - que felizmente, se descentra. 

O merecimento do sucesso é todo teu. Ele se deve à qualidade de teu trabalho, 'desde sempre', mas também a tua persistência, dedicação, a esse envolvimento meio religioso com a literatura. Curitiba quase sempre atrapalha, e dá gosto ver como você continuou, vencendo o atrapalho, até que Curitiba se abrisse um tiquinho. Vejo teu caso como uma vitória do sonho, que em algum momento precisa de outros pra se viabilizar por inteiro. Em teu caso, essas parcerias vieram, e elas são merecedoras de uma parcela do que te acontece agora.

Nos vemos tão pouco, me ressinto disso, como agora. Mas sinto que estamos perto um do outro, atentos, admirados, desejosos de espanto. Essa exposição generalizada de uma meia dúzia de nomes, às vezes merecedores das luzes, repercutida pela mídia, um pouco pela universidade, por tantas feiras e festivais, pela internet mais rala, ela reduz drasticamente a riqueza tão grande e diversa de nossa imaginação. Fico tão contente quando alguém querido fura esse bloqueio, quebra a pauta. É como se finalmente o Brasil passasse a merecer aqueles que custam tanto a vir a ser o que finalmente acabaram sendo, essa maravilha de individualidade. A verdade está na riqueza de nossa diversidade criativa, não nesse jogo de grandezas, que se deve mais à política da cultura do que à literatura de fato. 

Fico lembrando de nossos primeiros encontros, no alto da Brigadeiro Franco, Pink Floyd, caixas de maçã na sala, café e pão com manteiga madrugada adentro, você lendo dezenas e dezenas de meus poemas, todas as semanas,e comentando um a um, fora as indicações de leitura. Lembro com um carinho danado, sem saber como agradecer tanta pertinência e generosidade. Mesmo que eu agradeça sempre, nunca vai ser suficiente. Você está entremeado, quando lembro dessa época, à foto enorme do Henry Miller, no fundo do corredor, à sensação física que o poema me provocava, palavras vivas na mão como peixes recém-saídos d'água, ao menino Gigio chispando de um lado pro outro, a amuletos ou esculturas de pedra sabão (de Ouro Preto?) na parede, e àquela janela se abrindo para um dos grotões escuros de Curitiba. A doçura lá de dentro, de nossos encontros, é ela que sinto na minha vida ainda hoje, desdobrada nos filhos, na neta, e em minha poesia, que silenciosa e anonimamente vai pingando. 

Quantas vezes durante todos esses anos não pensei em mostrar um trabalho pra você, em dividir uma alegria, que quase sempre tive que acabar engolindo sozinho. Mesmo você aí no Bacacheri e eu aqui, em Santa, converso sempre contigo. Estou terminando um livro que você me deu há anos, Dia e Noite, da Virgínia Woolf, que só agora consegui ler, e todos os dias leio o marcador, um cartão seu, falando dessa nossa proximidade de alma. Fora a dedicatória, com tua letra veloz. Quero dizer que ao agradecimento e ao carinho de antes, vou somando cada vez mais o orgulho de ser seu amigo. E de ver como você está se colocando no mundo, docemente, mas sem concessões. Você faz parte do Brasil que já deu certo, a anos luz dessa nossa política comezinha. Quando falam em ano perdido, recessão, esquecem da imensa riqueza de nossa inventividade, já formalizada em livros, música, esculturas, desenhos, dança - maravilhosos. Nosso corpo cultural é de tal maturidade que vai demorar décadas para que o país consiga absorver a parcela mais significativa dele. Temo, como já acontece, que sejamos mais e mais visíveis lá fora do que aqui dentro.  

Te mando um abraço cheio de contentamento. Quando a coisa apertar, não desista sequer por um segundo, vou estar pensando em você e te mandando meu carinho.

Dê um beijo na Líbera, imagino que ela também esteja muito contente.
carlos

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Admirável Ovo Novo, lançamento




Com o passar do tempo algumas pessoas ficam doces, algumas, não a maioria - a maioria, como acontece com o leite, azeda. Ficaram doces o poeta Mario Quintana, minha nona Iza, o geógrafo Milton Santos...  É surpreendente como a doçura ganha pouco a pouco algumas pessoas, até transbordar. Cada vez que vejo e ouço Paulo Venturelli sinto isso. E fico bobo de ver como o inspirado, o inconformado, o outrora intempestivo amigo foi se enchendo de doçura, sem que com isso ficasse comprometido um tico de sua inspiração, sem perder nada de seu inconformismo crítico, sem que seus arroubos barroco-diluvianos deixassem de nos inundar com um mar de vigor. Mesmo quando põe o dedo na ferida -  quantas vezes ouvi dele essa expressão! - o Venturelli de hoje não consegue disfarçar nos olhos o doce que lhe vai dentro. É desse híbrido que sua literatura se alimenta cada vez mais. Veja o título desse livro: Admirável Ovo Novo, vai nele três vezes a ênfase positiva que o autor sempre pôs em tudo o que escreve, e vai doçura dirigida à criança que nunca morreu em nós.

sábado, 10 de março de 2012

Venturelli, em andamento



Algumas telas têm que ficar pela metade, porque o essencial já se deu. Nunca percebo isso no ato, preciso de pelo menos um dia para compreender onde afinal cheguei. Esse dia às vezes vira um ano. A solução final ainda não está em mim, tenho que ter paciência e ficar bem atento. Distraidamente atento. Pode que a solução seja soparada inesperadamente pelo vento numa manhã qualquer do meu porvir.

É que tenho uma queda irreversível pelo desenho, pelas sucessivas camadas de carvão que vão se acumulando no algodão cru. Pode que seja um erro, que o melhor mesmo fosse seguir o fluxo do pincel em direção a sabe-se lá o quê. Mas seguir, concluindo de inequívoca conclusão a tela. E no entanto, o carvão diz o que seria uma pena cobrir com tinta.

Talvez o que esteja em jogo seja meu amor ancestral à melodia. Porque o desenho é melodia, enquanto a cor é harmonia. Quem me disse isso foi o Matias, certeiro, comentando a tela do cachorro. É que nesse momento de minha vida estou na divisa, cada vez mais sensível às harmonias, mais e mais entregue ao ócio das especulações - como se pode notar.

sábado, 30 de abril de 2011

O Anjo Rouco, de Paulo Venturelli



Imperdível o lançamento do livro O Anjo Rouco, de Paulo Venturelli, no próximo sábado, dia 07 de maio, às 11h, no Paço da Liberdade. Imperdível porque essa nova edição está linda. Mas principalmente porque Venturelli é um escritor em que a prosa sempre está de mãos dadas com a poesia.

Há um tom lírico em cada linha que ele escreve, uma docilidade no uso das palavras como se ele estivesse nos lembrando a todo momento que não podemos nos fiar na razão, que só é possível viver poeticamente. Há sempre um mistério prestes a se revelar, sugerido pelo vento, por um desejo contido, pelo olhar de um menino, por um poço fechado. Um mistério que se revela já nesse uso tátil da palavra, consciente da riqueza subjetiva que ela pode conter. Venturelli escreve como se tocasse outro corpo, e toca.

A apresentação do livro, escrita por Nelson de Oliveira, termina dizendo que "o Brasil inteiro precisa urgentemente descobrir este escritor." Urgência, essa é a palavra, para que não se perca a oportunidade de usufruir o quanto antes de um talento cuja sensibilidade torna afetivo tudo o que toca.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Paulo Venturelli

(clique na imagem para ampliá-la)
Dando continuidade à série de retratos, trago pra cá, hoje, o retrato de meu querido amigo Venturelli - um retrato espontâneo, não-voluntário, que acabou vindo porque quis. Usei a capa colorida de uma Guia das Artes como colagem - a antológica revista dirigida por Len Berg e editada pela Casa Editorial Paulista.