sexta-feira, 12 de março de 2010

Bicicletinha

(80 x 100 cm, óleo sobre tela, R$ 4.800,00)


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Essa tela, atualmente na galeria Arte Aplicada, foi a única que fiz a partir do conjunto de desenhos, gravuras e fotos do livro Bicicletas de Montreal. Embora ela esteja à venda, tenho vontade de retomar algumas áreas, repintando-a.
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Vale repetir: as bicicletas do livro não passam de pretexto para o exercíco do desenho, do grafismo. O que não significa que eu seja cego à beleza gráfica de canos, cabos e raios. No final das contas, a superfície do mundo não passa de um pretexto para que sonhemos.
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quinta-feira, 11 de março de 2010

Variações Negras




Esse conjunto de 50 telas, trabalhei nele durante 4 anos. Duas foram as inspirações indiretas: Oswald Goeldi e Variações Goldberg, de J.S.Bach. Na ocasião, visitei o Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro e a Biblioteca Nacional, que possui em seu acervo de iconografia um conjunto maravilhoso de gravuras e tacos de Goeldi. Parte das telas foi exposta e vendida em Montreal, parte por aqui mesmo. Metade do conjunto continua comigo. Ainda não desisti do sonho de fazer um livro delas, além de expô-las. Elas externam minha crença, e minha alegria, nesse exercício que acabou sendo chamado durante os tempos de variações. Foi isso que fiz aqui, como fiz depois com o conjunto de grafismos de bicicletas. E mais recentemente com o conjunto sobre jogos e brincadeiras - no livro Quer Jogar?

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3 x o Pintor



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quinta-feira, 4 de março de 2010

Sobre relógios e nuvens

Relógios são nuvens, basta deslocar nosso olhar da régua mediana que estabelece os significados convencionais da vida em sociedade.

Muito de perto, desmontados ou não, relógios podem se transformar em volumes esculturais, ricos da imprecisão que atribuímos às nuvens. Muito de longe, eles se reduzem a uma roda, um círculo, um ponto, e portanto podem fazer parte de um novo discurso, igualmente impreciso.

Hélio Leites, quase sempre, vê abaixo da escala mediana, microscopicamente. Vik Muniz, em várias de suas séries, vê o macro, acima da medianidade. Esse deslocamento alarga o horizonte humano, antes de mais nada por puro prazer. Deslocar, pôr em movimento, produz também significado.

Nuvens, sob um olhar deslocado, podem guardar a precisão dos relógios. Físicos buscam essa precisão, ainda que momentânea, embora ainda não a tenham encontrado. Artistas vivem desse deslocamento, ora em direção ao micro, ora ao macro. Não nos contentamos nunca com o lugar comum. Respiramos fluidez.

Ao recortar uma nuvem no papel, ela se geometriza inesperadamente. Foi o que fiz no livro O gato sem nome, no poema gráfico Duas almas se encontram numa nuvem.

É sempre numa nuvem que duas almas se encontram. Nunca na precisão. Mesmo nos momentos mais pragmáticos dos encontros, se é possível dizer assim, o que se dá nasce de uma vagueza e de um esgarçamento só comparáveis às nuvens, vistas desse nosso olhar quase sempre medianamente humano. Quanto aos desencontros, eles se dão num céu carregado de nuvens.

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terça-feira, 2 de março de 2010

De relógios e nuvens são feitos os desenhos


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Do caderno de ateliê 38. Fiz esses trabalhos numa urgência danada. Urgência de quê? Não sei, mas eles saíram sob pressão. Como se deles dependesse minha sobrevivência. Mas não vai nisso dramatismo algum. Apenas que trabalhei premido por uma necessidade muito forte e sem sentido. Quando fiz a mulher, sequer imaginava que algumas páginas a frente viria o homem. Naturalmente eles poderiam formar um casal, de frente um para o outro. Ou de costas. No entanto, olhando-os, o que vejo são recortes, linhas, cores - momentâneos adereços de minha urgência.
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Borboleta no ateliê


Mulher-pomba com violão

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Morro de medo que a música me falsifique, tanto ela afetiva minha cognição. Sem música eu estaria meio morto, meio vivo. E entre todos os instrumentos, o violão é o que troca confidências comigo. Sem que eu me aperceba, ele sussurra segredos que fazem sorrir o coração, ou doer fundo n'alma.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Templo Zu Lai

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1 Mesmo na fotografia, a realidade é sempre subjetiva. O que se vê, o que a câmera recorta, é nossa visão subjetiva do mundo. Fora dela o mundo não faz sentido. Quanto mais olho para fora, mais mergulho na superfície oceânica de mim mesmo. Se a foto é boa, se o olhar é bom, esse paradoxo é inesgotável.
Quando fotografo, lido com o enorme prazer de ver o mundo, e de recortar essa visão em fragmentos. Para quê? Para nada, pelo simples prazer de me sentir vivo, de me saber disponível para os olhos, para o móbile que há neles. Fotografo pelo simples prazer de manipular a superfície visível do mundo, a ínfima partícula da superfície que me cabe.
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Gabriel sonhando

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Esse menino, me surpreendo como cada vez mais ele está vivo pelo olhar. A miopia lhe abriu um mundo de delicadezas miúdas, desde cedo. E agora, aos poucos, ao usar câmeras fotográficas, ele me devolve um mundo de larguezas que eu não suspeitava. A delicadeza continua, mas agora de mãos dadas com um buquê de surpresas, como o humor, um humor com cheiro de alecrim. Aos poucos vou postar aqui fotos suas, embora algumas tenham que ser digitalizadas.
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Tenho um projeto de livro de fotografia, imaginário, cujo título é Alegrias do Mundo. Numa pasta improvisada, guardo uma série de fotos de tudo que me é mais caro, que mais me toca nessa vida. Animais, grafismos, sombras, muros, nuvens, e sobretudo pessoas. Além de outras tantas dispersas por aí, em outras pastas ou arquivos. Em várias, Gabito está sorrindo, com os olhos fechados, sorrindo e sonhando. Nenhuma beleza se compara a substância floral dos sonhos de uma criança.
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

entrevista no ateliê





Hoje, às 21h vai ao ar a entrevista que dei ao programa Enfoque, da RTVE do Paraná. Ao contrário das outras vezes, a entrevista foi gravada no próprio ateliê. Nela falo rapidamente de 4 projetos para este ano:

  • a publicação do livro Quer Jogar?, pelo SESC SP
  • a exposição de telas e fotografias, na ARTE APLICADA
  • os desenhos para o segundo volume do livro BRINCA CIÊNCIA
  • e o livro CEGOS como EU, de poemas, fotos e desenhos

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

recortes

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Atacar o papel com o estilete, sem estudo, camada a camada, compondo harmonias abstratas, é uma das maiores alegrias de minhas mãos. Frequentemente edito o recorte, refazendo a ordem das lâminas; com esse jogo aprofundo a busca por certo rigor, além de extrair dele prazer e permitir que atue a mão deificada do acaso.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Dados

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Do livro Quer Jogar?, inédito, em co-autoria com a arte-educadora Adriana klisys, a ser publicado pelo SESC SP. Fotos de Joel Rocha.

Empinando pipa

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Como os dois desenhos abaixo, do livro inédito Quer jogar?

bolha de sabão

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Como a imagem abaixo, do livro Quer Jogar?, inédito.

chung toi

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Do livro inédito Quer jogar?, em co-autoria com a arte-educadora Adriana Klisys, a ser publicado pelo SESC SP. Foto de Joel Rocha.

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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

tela vermelha

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A alegria do filho toca a alegria do pai
120 x 240 cm
Acrílica sobre tela
  

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

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José Castello







Quando desenho um rosto, nunca deixo de buscar certa semelhança, mas seria uma tolice reduzir um retrato a essa aspiração. Desenhar um rosto significa expressar a visão que se tem dele, visão que muitas vezes se impõe, alheia à porção mais evidente da vontade. E se não fosse assim, o que se conseguiria é a bagatela de uma caricatura.
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Um retrato realmente vivo é sempre a expressão de uma visão subjetiva - desse mistério que é um rosto, que são todos os rostos. Por isso, mais do que redundante é ingênuo dizer que um retrato guarda algo do pintor ou do desenhista. O que importa é que as linhas respirem por conta própria, e que resultem desse amálgama entre Um e Outro, que em dado momento se encontraram.
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Conheci José Castello através de um amigo. Pouco depois ele escreveu sobre meu livro Bicicletas de Montreal, no Rascunho. Seus livros e resenhas mapeiam boa parte da literatura brasileira - com uma sensibilidade e com uma agudeza intelectual admiráveis. E com uma desenvoltura no manejo da escrita de dar inveja. É sempre um enorme prazer ler seus textos críticos ou ficcionais. São fundamentais seus retratos de escritores.
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A casa da amoreira






O Picasso de Edward Quinn
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Acabei de comprar num sebo de Sampa o livro Picasso à l'oeuvre, com fotografias de Edward Quinn, que acompanhou o artista entre 1952 e 1965, de Vallauris até sua última residência, em Mougins. A parte a curiosidade pelo trabalho do pintor, que continuo sentindo, comprei o livro pela qualidade das fotos, quase todas em preto e branco.

.Vendo uma boa foto em pb, sinto o mesmo que ao assistir um bom filme de silêncio: na redução de recursos de ambos está sua riqueza. Meu olho se concentra mais e como consequência lê melhor o que vê. Enxergo melhor a luz e a sombra, e intuo o que juntas elas dizem. Para além do evidente volume, as fotos pb acrescentam ao mundo uma intensidade humana cheia de nuances, segredos, silêncios - trama dificilmente captada, ou construída, pela fotografia colorida.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Paisagem


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A paisagem, esse tema recorrente na história da pintura, continua a despertar um enorme interesse, e não apenas entre os pintores de finais de semana. David Hockney é um exemplo que me vem à mente, com suas paisagens moduladas do Grand Canyon e suas aquarelas de Yorkshire.

Frequentemente uma paisagem pode ser reduzida ao esqueleto estrutural que a sustenta. Com esse desenho reduzi uma de minhas paisagens ao essencial, a essa ossatura de passarinho. Embora alguns elementos tenham ficado de fora, essa variação em nanquim da tela caminha em direção à rarefação do contexto - tema que tem despertado meu interesse há anos. Tanto no desenho como na poesia, quanto mais se tira, mais denso fica o núcleo.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O ovo do amor

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Tudo o que voa

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Que importa a tristeza, se podes fabricar asas e voar? Parangolés, guarda-chuva laranja, pipa no céu azul, ícaros, os olhos que saltam do último andar... não importa como. Os braços abertos, no butô, delicadeza retorcida, tão simbólica como o cipó do maracujá que vejo pela janela. Como esquecer tudo o que voa?
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Nanquim

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Explorar o mesmo tema com materiais e técnicas diferentes é um prazer para a cognição. Aquilo que a colagem diz, o desenho não pode dizê-lo. A primeira é rica em associações, a segunda em rarefação e delicadeza. Respira-se menos com o desenho, mas mais essencialmente. A colagem é um jogo. A força que uma tela pode expressar, sua densidade material, como dizê-la com a fotografia. A fotografia traz o mundo para a epiderme. E o prazer de tocá-la, com os olhos, em tudo é diverso do prazer de tocar, ainda com os olhos, a materialidade de uma tela. Percorrer esse trajeto, investigando o mesmo tema, é uma de minhas alegrias. Desejaria que ele fosse capaz de dizer o que eu não.

Mascarado

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Não sei de onde eles vêm, esses mascarados. Nem para onde vão. Eles são meu descarrego. Lembro do Poty dizendo que alguns desenhos são para descarregar. Sinto saudade dele, de sua fala econômica, do olho preciso. Uma pena não podermos mais conversar com algumas pessoas.

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Caderno 38





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Venho trabalhando nesse caderno (46 x 46 cm) há três semanas. Brinco chamando-o de o caderno do eu que ri, tantos os auto-retratos em que esboço um sorriso. Tem sido um prazer escrever nele, dada a natureza delicada e absorvente do papel arroz. E assim, entre delicadezas e brusquidões vou me desperdiçando, nesse final de ano.

A paisagem acima é parte do jardim, visto do ateliê. Acho que finalmente assimilei alguma coisa dos mestres do período T'ang. Enquanto o desenho me devolve ao mundo natural, onde reina uma espécie de indiferença magestática, a pintura me reconduz ao obscuro em mim, à minha natureza íntima, onde tudo é passional. Um me esvazia de mim, a outra me enche de espelhos.
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Variações Negras

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Esta foi a última tela da série Variações Negras. Ela mede mais de 3m de altura. Usei óleo, grafite, carvão...
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009