sexta-feira, 14 de maio de 2010

2 x Cartaz GUINGA 60anos

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Foram feitas 80 impressões serigráficas desse cartaz, em papel canson branco, 220g. E 21 impressões em papel canson bege, 220g, como tiragem especial, numeradas de 1 a 21, assinadas. A partir de hoje eles começam a ser fixados em alguns locais da cidade, divulgando o show do próximo dia 10. Vida longa a Carlos Althier de Souza Lemos Escobar, o Guinga, nascido a 10 de junho de 1950 em São Sebastião do Rio de Janeiro.






Este o cartaz impresso para o show GUINGA 60 anos. A pintura é minha, assim como o projeto gráfico. A execução de arte, com muita criatividade e sugestões sempre sensíveis, é de Ivonete Santos, que está prestes a compreender o que quero telepaticamente. O mentor espiritual desse projeto lindo é meu irmão Robert Amorim. E também quem o viabilizou concretamente.

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quarta-feira, 12 de maio de 2010

A Mais Bela Flor

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a mais bela flor

não fenece nunca

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todos os dias

novos botões se abrem

com delicado ardor

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nenhuma fragrância

embriaga mais

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nada solicita tanto

meu furor

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inédito

Desvendério


Esta a nova capa do livro Desvendério, do Chico dos Bonecos, que ilustrei para a editora Peirópolis. Usei a colagem do próprio texto original na composição dos desenhos. Para cada conto, o texto a ele correspondente. Desenho, recorte e colagem foram as técnicas que usei.
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domingo, 9 de maio de 2010

punk do Gabriel

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.desenho de Gabriel, meu filho


Desenhos de crianças são uma maravilha. Nossa curiosidade nunca é suficiente pra perceber tanta invenção. Toda vez que vejo uma criança desenhando, invejo a desenvoltura dela - mas uma inveja boa, cheia de admiração. Queria pra mim essa desenvoltura sem travas, sem um tico de preocupação para onde as coisas vão. Para a esquerda, para a direita, para cima ou para baixo, que diferença faz... a vida está em todos os lugares.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

GUINGA 60 anos






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Guinga, compositor e violonista inspirado pelos anjos, comemorará seus 60 anos em Curitiba, dia 10 de junho, no Guairão. Faço o material gráfico para o show, assim como o cenário. Ontem, na Gazeta do Povo, Luiz Claudio Oliveira escreveu um texto belíssimo sobre o músico carioca e seus convidados: Guinga escolhe Curitiba para festejar 60 anos .

Duas são as versões para cartaz, uma em serigrafia, com tiragem limitada, e outra impressa, com trabalhos distintos. A imagem que abre este blog é uma delas, a outra é a primeira da sequência de 4, acima. As outras são algumas das versões não usados.

Artes Plásticas/Bicicletas de Montreal

  José Castello

“Partindo do quase-nada, Carlos Dala Stella não só fez um livro sensível e belo, mas nos ensinou alguma coisa a respeito da arte e da escrita. Teve as qualidades que formam o artista e o escritor: a paciência para esperar, sem saber o que se espera; a liberdade interior; a coragem para suportar o susto quando a coisa chega. Clarice Lispector, meio freudiana, dizia: o ‘isso’. Carlos não quis impor seu estilo, ou estabelecer significados. Limitou-se a aceitar aquilo que lhe vinha, sem nada pedir em troca, sem impor condições ou discriminar respostas, e foi por isso, só por isso, que fez um livro estupendo.”

Rascunho, março de 2003.
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Ubiratan Brasil

“O livro é composto de 35 fotografias e 44 trabalhos sobre papel, como desenhos, gravuras, recortes e colagens. A intenção, bem-sucedida, do artista plástico era estabelecer um diálogo entre as imagens, permitindo que a leitura não seguisse a ordem natural das páginas. Nesse sentido, o livro funciona como um grande quebra-cabeça que pode ser lido na ordem que se preferir.”

O Estado de S. Paulo, 19 de março de 2003.

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André Seffrin

“Com a máquina fotográfica em punho, ele pouco a pouco registrou essa alegria, esse nada. Depois, com nanquim, crayon, grafite, etc., em variantes técnicas que não excluíram a fotografia propriamente dita, chegou ao livro. Um livro que nos revela o artista ‘à disposição da infinita realidade’, ou seja, que nos revela o sentido da arte e o lugar do artista no mundo dos homens. Ele também escreveu para o livro um texto impregnado de poesia, quase agônico em sua inquietude. Em meio aos tantos embustes do panorama atual das artes plásticas, eis um nome que merece toda a atenção.”

Pasquim, 25 de março de 2003
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José Carlos Fernandes

“Não bastasse, as bicicletas de que se ocupa Dala Stella são um caso à parte, uma espécie de lixo industrial deixado ao tempo e ao vento em um país rico, sem serventia nenhuma. São, por isso, presas perfeitas para fazer uma variação de um único tema, idéia que persegue o artista não é de hoje. Carlos sempre trabalha uma idéia à exaustão, para conseguir, justo, o que alcançou com as velos. Não lhes falta, por isso, dramaticidade, lirismo, emoção e umas tantas narrativas sugeridas.”

Gazeta do Povo, 27 de fevereiro de 2003

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 Diogo Sinhorotto

“Vendo as obras contidas em ‘Bicicletas de Montreal’, recordamos a poesia que pode ficar esquecida no corre-corre urbano. Além de belas imagens, Carlos Dala Stella pretende oferecer uma sonoridade: ‘Criei uma espécie visual, mas de grande apelo aos outros sentidos. As bicicletas são um pretexto gráfico para ouvir a música das rodas e das folhas’, comenta.”

Jornal do Commercio, 20,21 e 22 de abril de 2003.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

ícaro 3

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Esta foi uma das primeiras telas em que usei simultaneamente óleo, acrílica, pastel, lápis de cor e carvão. Uma foto preto e branco dela ilustra O Gato sem Nome.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Gato Sem Nome

camada espessa de silêncio
emudece a manhã.
os significados se foram
apenas os olhos, sonolentos, beijam
com delicado ardor o que vêem.

se ao menos chovesse
a manhã fosse mais longa
o laranja dos hibiscos
incendiasse meu dia.

o sexo em mim avulta
todo desejo e manipulação.

nu, no ateliê, tateio
a superfície sonora do mundo:
relógio, passarinhos, vozes
esses eternos motores.

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Poema e desenho de um de meus cadernos de ateliê, usados no livro O Gato sem Nome. Nesses cadernos escrevo e desenho quase diariamente. Iniciei o primeiro quanto tinha 18 anos, escrevendo sobretudo poemas. Hoje são mais de 10 mil páginas. Aos poucos o texto foi dando lugar ao desenho, às colagens, aos recortes. Meus cadernos agora são híbridos. Eles são a expressão de minha indentidade menos arranjada, por isso mais íntima.

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terça-feira, 27 de abril de 2010

Grafismo nº 2


Esse painel de cimento faz parte de uma série de 3. Também são 3 as telas que inspiraram a pintura desses grafismos em cimento. E, finalmente, 3 são os painéis de cimento e vidro com os mesmos grafismos, sem cor - com os quais sonhei e de onde partiu todo o processo. Na mesma época, levei esses grafismos para a serigrafia. Expus o conjunto na mostra Cimentais, na sala Miguel Bakun, hoje Casa Andrade Muricy, na década de 90.
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Grafismo nº 2
cimento e acrílica
100x70cm
R$ 3.800,00
(+ frete)

G

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Virgem e Santa Ana

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Esta minha versão da Virgem e Santa Ana, de Da Vinci, mas sem o menino. Ela foi capa da primeira edição do romance A Suavidade do Vento, de Cristovão Tezza, pela Record. Também participou de várias exposições, entre elas Cimentais, minha primeira individual em Curitiba, em 1995.
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Virgem e Santa Ana
cimento branco estrutural
100x80cm
R$ 4.200,00
(+ frete)
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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Terças Lúdicas

Inscrições pelo site http://www.caleido.com.br/

Dia 25 de maio acontece em Curitiba a primeira das TERÇAS LÚDICAS, vivências lúdicas para adultos, projeto de Adriana Klisys, da Caleidoscópio Brincadeira e Arte . Em São Paulo já foram sete eventos, sobre jogos africanos, colagem, brinquedos científicos, adereços de carnaval, bonecos de sucata articulados... Sempre com a presença de um especialista na área, no espaço Crie Futuros.
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A ludicidade é o tema, quaisquer que sejam os materiais usados, por isso o clima descontraído em que os encontros se dão. Muita gente boa tem participado - artistas, enfermeiras, advogados, professores, músicos, estudantes... Brincantes com as mais diversas formações, o que dá à proposta uma abrangência para além do espaço estritamente educacional.

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O tema desse primeiro encontro são algumas brincadeiras e jogos do livro QUER JOGAR?, com textos de Adriana e desenhos meus, a sair pelo SESC SP. E vai acontecer em meu ateliê, como os próximos, sempre com um convidado novo.

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Quem quiser receber o convite com os links para inscrição pode me escrever ou ligar (41 3374 4110). Ou escrever diretamente à Adriana, através do e-mail caleido@caleido.com.br (11 3726 8592). Teremos o maior prazer em recebê-los no dia 25 de maio.



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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Insignificâncias


Esses estudos acabam descartados com o tempo, ou ficam por aí, pelos cantos do ateliê, empoeirados. Preparava uma série de desenhos para um livro do Chico dos Bonecos, descartei um recorte, que depois retomei, por brincadeira. Coloquei um papel de seda vermelho, no fundo, desses que se usam para fazer pipas e balões. Prendi tudo numa placa de isopor como suporte, usando pequenos pregos. Agora ele descansa sobre um balcão, no primeiro piso, entre outros objetos heteróclitos.
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Gosto da idéia de que a identidade é construída também dessas insignificâncias, desses descartes, desses desperdícios. Quanto aos atos heróicos, me nego a vê-los sem as lentes do riso, às vezes mesmo da ironia. Desconfio deles. Sempre preferi a alegria à tragicidade, o primeiro traço ao desenho pronto, a hesitação do que está por nascer ao bem composto, ao aprumado. As insignificâncias de um dia ensolarado - como o de hoje - dizem mais do que toda uma vida de compostura.
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Variações Negras

quarta-feira, 31 de março de 2010

FOTOGRAFIA E PINTURA




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O conjunto nasceu quando Carlos Dala Stella achou em uma fotografia minha um ponto de partida para uma tela, onde a figura é a própria foto. Ele trabalhou a partir da foto a seu modo, e assim fez com mais algumas. Mas no fim das contas, fotografias e telas juntas não indicam esse caminho claramente, embora sugiram algo em comum entre ambas.
Curiosamente minhas fotos parecem tomar os recursos das pinturas, recursos mais comuns nas artes plásticas. Elas não somente deformam o objeto, indo além do real, mas lembram a textura da tinta. São fotos de silhuetas, sombras, junto a cores exacerbadas e borradas. Elas foram tiradas em momentos muito diferentes, e só depois que foram dando origem às telas percebi a semelhança entre elas.
Vi então que o que eu vinha fazendo, tirando fotos, muitas vezes, era brincar de extrair do que eu via uma outra cor, outra forma, coisa que a tela continua fazendo. O resultado disso tudo são trabalhos de natureza distinta, mas de uma intimidade una.

Matias Cherem Dala Stella


Apartir dessa sexta-feira, 02 de abril, pode ser vista, no BETO BATATA do Alto da XV, a exposição FOTOGRAFIA E PINTURA, com fotos de Matias Cherem Dala Stella e telas de Carlos Dala Stella. Cada uma das telas foi inspirada numa fotografia. Ainda este ano o conjunto será exposto da Galeria Arte Aplicada, de São Paulo.

sábado, 27 de março de 2010

Caderno de Ateliê

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Essas mulheres, o que dizer sobre elas - sempre envoltas em mistérios? Lembro de um amigo que pôs como título de um de seus livros: as mulheres são todas. E indecifráveis, por mais que nos aproximemos. E decoremos com flores um a um os seus cômodos, e toquemos seus lustres, e giremos a roda gigante de suas vaidades. E ouçamos atentamente o canto de seus olhos. Um mistério às vezes doce. Que incendeia o ar que respiramos.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Feyerabend

1



Qualquer um que abra um jornal e prefira uma coluna fixa aos noticiários políticos, econômicos, esportivos ou policiais, concordará que “uma coluna é essencialmente um minestrone”.


Quem faz essa afirmação é Paul K. Feyerabend, filósofo austríaco, ex-soldado do exército alemão, ferido na segunda guerra, em sua autobiografia Matando o tempo, concluída no último mês de sua vida, fevereiro de 1994. Ele compreendeu perfeitamente as vantagens de combinar retórica e argumento: “Nada de argumentação longa e exaustiva, mas observações impertinentes cercadas de pensamento, ou pensamento temperado com audácia e imagens”.


Não é preciso ser filósofo para chegar a essa conclusão. Basta ser leitor assíduo da imprensa nacional ou internacional. Ou ter escrito meia dúzia de artigos sobre qualquer assunto de alguma relevância cultural. Mas o surpreendente neste caso é que justamente um filósofo tenha compreendido de forma tão cristalina as particularidades de um tipo de texto em tudo avesso às regras acadêmicas.


Isso provavelmente só foi possível porque à medida que deixa de escrever exclusivamente para seus pares, Feyerabend abandona o jargão da classe a qual pertence. E passa a buscar um estilo luminoso e simples, que aliasse razão e emoção, como ele mesmo diz a Grazia, sua mulher.


Seja por desfeita ao olímpico mundo acadêmico, seja em nome de uma audiência maior, não há como negar que o filósofo caminhou em direção a um uso mais pessoal, e também mais provocador, da linguagem, embora aparentemente menos rigoroso e eficiente.


Alguém que ao rememorar a própria vida brinca dizendo estar apenas matando o tempo (conforme a variante Feierabend, palavra comum em alemão, significa literalmente), deve ter passado por uma revisão geral de valores. E a linguagem certamente deve ter desempenhado um papel fundamental nessa mudança.



2



E aqui seria bom fazer menção a uma das fotos que ilustram o livro, a preferida de Feyerabend: aquela em que o eminente homem do pensamento aparece de avental, lavando louça junto a uma pia abarrotada. A legenda, certamente sugerida por ele mesmo, diz: “O ‘filósofo’ trabalhando!”


Se por um lado o gesto cotidiano de lavar louça é elevado, por obra e graça da ironia, à categoria de atividade filosófica, por outro a ‘narrativa’ da própria existência é reduzida a um passatempo. Mesmo que se trate aqui do terreno espelhado da ironia, fica evidente que a essa subversão de valores corresponde uma mudança no uso da linguagem.


Não só ele manda às favas a farsa dos títulos acadêmicos, os prêmios e toda a hierarquia universitária, como também o jargão do discurso científico, com sua onipotente necessidade de explicação sistemática e seu pseudo-rigor lógico. E ridiculariza a si mesmo por ter acreditado durante tanto tempo nesses valores e por ter usado a linguagem a eles correspondente mesmo em seu livro mais ambicioso, Contra o método.


Em sua autobiografia, ao contrário, ele prefere ser compreendido pelo público em geral a ser tido por um pensador profundo, afirmando, algumas linhas antes do final: “escrever de maneira simples, de modo que as pessoas sem preparo específico possam entender não significa ser superficial”.


3



Ainda criança, enquanto construía castelos de areia na praça, Feyerabend pergunta a sua mãe, impressionado com os homens nervosos que via correndo atrás dos bondes lotados:


- O que estas pessoas estão fazendo?


- Estão indo trabalhar, diz a mãe.


Na mesma praça um senhor passava as tardes sentado num banco desfrutando o sol.


- Por que ele está aqui? pergunta o menino.


- Ele está aposentado, responde a mãe.


A partir daquela ocasião, sempre que perguntam o que quer fazer quando crescer, responde:


- Quero me aposentar.



Texto publicado originalmente no jornal Gazeta do Povo, sob o título Minestrone.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Bicicletinha

(80 x 100 cm, óleo sobre tela, R$ 4.800,00)


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Essa tela, atualmente na galeria Arte Aplicada, foi a única que fiz a partir do conjunto de desenhos, gravuras e fotos do livro Bicicletas de Montreal. Embora ela esteja à venda, tenho vontade de retomar algumas áreas, repintando-a.
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Vale repetir: as bicicletas do livro não passam de pretexto para o exercíco do desenho, do grafismo. O que não significa que eu seja cego à beleza gráfica de canos, cabos e raios. No final das contas, a superfície do mundo não passa de um pretexto para que sonhemos.
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quinta-feira, 11 de março de 2010

Variações Negras




Esse conjunto de 50 telas, trabalhei nele durante 4 anos. Duas foram as inspirações indiretas: Oswald Goeldi e Variações Goldberg, de J.S.Bach. Na ocasião, visitei o Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro e a Biblioteca Nacional, que possui em seu acervo de iconografia um conjunto maravilhoso de gravuras e tacos de Goeldi. Parte das telas foi exposta e vendida em Montreal, parte por aqui mesmo. Metade do conjunto continua comigo. Ainda não desisti do sonho de fazer um livro delas, além de expô-las. Elas externam minha crença, e minha alegria, nesse exercício que acabou sendo chamado durante os tempos de variações. Foi isso que fiz aqui, como fiz depois com o conjunto de grafismos de bicicletas. E mais recentemente com o conjunto sobre jogos e brincadeiras - no livro Quer Jogar?

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3 x o Pintor



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quinta-feira, 4 de março de 2010

Sobre relógios e nuvens

Relógios são nuvens, basta deslocar nosso olhar da régua mediana que estabelece os significados convencionais da vida em sociedade.

Muito de perto, desmontados ou não, relógios podem se transformar em volumes esculturais, ricos da imprecisão que atribuímos às nuvens. Muito de longe, eles se reduzem a uma roda, um círculo, um ponto, e portanto podem fazer parte de um novo discurso, igualmente impreciso.

Hélio Leites, quase sempre, vê abaixo da escala mediana, microscopicamente. Vik Muniz, em várias de suas séries, vê o macro, acima da medianidade. Esse deslocamento alarga o horizonte humano, antes de mais nada por puro prazer. Deslocar, pôr em movimento, produz também significado.

Nuvens, sob um olhar deslocado, podem guardar a precisão dos relógios. Físicos buscam essa precisão, ainda que momentânea, embora ainda não a tenham encontrado. Artistas vivem desse deslocamento, ora em direção ao micro, ora ao macro. Não nos contentamos nunca com o lugar comum. Respiramos fluidez.

Ao recortar uma nuvem no papel, ela se geometriza inesperadamente. Foi o que fiz no livro O gato sem nome, no poema gráfico Duas almas se encontram numa nuvem.

É sempre numa nuvem que duas almas se encontram. Nunca na precisão. Mesmo nos momentos mais pragmáticos dos encontros, se é possível dizer assim, o que se dá nasce de uma vagueza e de um esgarçamento só comparáveis às nuvens, vistas desse nosso olhar quase sempre medianamente humano. Quanto aos desencontros, eles se dão num céu carregado de nuvens.

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terça-feira, 2 de março de 2010

De relógios e nuvens são feitos os desenhos


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Do caderno de ateliê 38. Fiz esses trabalhos numa urgência danada. Urgência de quê? Não sei, mas eles saíram sob pressão. Como se deles dependesse minha sobrevivência. Mas não vai nisso dramatismo algum. Apenas que trabalhei premido por uma necessidade muito forte e sem sentido. Quando fiz a mulher, sequer imaginava que algumas páginas a frente viria o homem. Naturalmente eles poderiam formar um casal, de frente um para o outro. Ou de costas. No entanto, olhando-os, o que vejo são recortes, linhas, cores - momentâneos adereços de minha urgência.
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