quinta-feira, 22 de julho de 2010
2 X o verso de um recorte
Reproduzo aqui, contra a página de guarda preta, o verso de dois recortes da figura com que iniciei um novo caderno de ateliê, o 39. A redução a um esquema básico, preto no branco, mesmo que sugerida pelo acaso, me permite avaliar se a coisa funcionou ou não. E quantas vezes a coisa não funciona, mesmo que o trabalho agrade à maioria. Então é preciso ter coragem e recomeçar. Recomeçar sempre.
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segunda-feira, 19 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
Por puro Prazer
Antes de visitá-lo eu sempre ligava. Algumas vezes ele me esperava sentado no sofá da sala, de costas para o vitrô, a cortina fechada. Sobre a mesa oval a mesma babel de sempre: canetas, projetos, cotonetes sujos de nanquim, fotos, livros, e, naturalmente, desenhos, muitos desenhos, alguns apenas esboçados, outros concluídos.
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Mas naquela tarde ele veio abrir a porta com o formão na mão. Depois de trocarmos algumas palavras ele voltou ao trabalho, enquanto eu percorria um a um os cômodos do apartamento-ateliê. No primeiro quarto, à direita, no chão, encostados à parede, mais de uma dúzia de pequenas peças de madeira entalhadas por ele há muitos anos.
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- Arrematei esses entalhes numa galeria da cidade. Faz tanto tempo que nem mais lembrava deles. Custou uma bagatela.
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Na parede contrária à porta, de pé, quatro ou cinco portas de guarda-roupa, lado a lado, estreitas e compridas - todas entalhadas. Numa delas um São Francisco em tamanho natural. Não lembro se as outras continham variações da mesma figura ou se o tema era outro. Eram as portas do guarda-roupa que ele mantinha no Flamengo, no Rio de Janeiro. Quando decidiu morar definitivamente em Curitiba, e o apartamento foi vendido, ele retirou as portas, despachando-as para cá.
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- O guarda-roupa evidentemente não me interessava, então eu arranquei as portas, não ia deixar lá. O novo proprietário na certa ia preferir um armário embutido, mais moderno, e botar isso tudo fora.
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Agora, desprovidas de sua função habitual, elas descansavam num dos cômodos do apartamento-ateliê da rua da Paz. Às vezes me pergunto onde andarão essas portas, elas que revelam tão explicitamente como o trabalho desse artista e seu dia-a-dia eram inseparáveis. Gostaria de vê-las mais uma vez, expostas ao público, devidamente catalogadas. Mais de uma vez ele expressou o desejo de que esse trabalho de toda uma vida não se perdesse, disperso sabe-se lá em que cantos.
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No cômodo do fim do corredor, prateleiras cheias de livros. Sobre uma pequena mesa, livros. Em pilhas enormes, espalhadas pelo chão, livros e mais livros. Muitos deles contendo folhas com desenhos inéditos.
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- Fiz muito trabalho por encomenda, mas por conta própria não tenho dúvida que ilustrei muito mais.
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E, enquanto olhava para os livros empilhados em toda parte, como quem ri de uma simples travessura:
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- Os autores nem ficavam sabendo. Naturalmente muitos já morreram, não podiam saber mesmo. Ilustrei pelo puro prazer de ilustrar.
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O que parecia bagunça ou desordem era resultado de uma capacidade inesgotável de trabalho. Incansável como a água que brota da fonte, ele não parava nunca, porque nunca estava satisfeito, mas também porque trabalhar era a um só tempo fonte particular de subsistência e prazer.
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Não acredito que ele fosse o tipo de artista para quem o trabalho acaba sendo a única coisa que conta, com o passar do tempo, a única coisa que sobra. A generosidade era um traço do seu caráter, generosidade que é evidente na amplidão temática de sua obra, mas também na relação com o outro, especialmente com os amigos. Ele era generoso mesmo na hora de fazer o preço de seu trabalho.
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De volta à sala da frente, ouço o barulho do formão cortando a madeira. Atravesso a pequena cozinha e saio por uma porta estreita. Entre a parede à direita e o muro à esquerda, neste longo corredor que antes era uma área externa, agora coberta de eternit transparente, ele trabalha, sem camisa. O “cômodo” não tem mais do que um metro de largura, e as pranchas de madeira são mais altas do que ele.
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Mesmo assim ele não reclama, é a favor que ele trabalha, de pé, sem camisa, o formão afiado na mão, não contra, a favor da madeira, a favor do que seus olhos vêem e ainda não foi entalhado, a favor de uma força que se expande, positiva, para fora de seu corpo.
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Não digo nada. Observo aquele homem trepado numa banqueta, absorvido completamente por seu trabalho.
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Quando sonho com um grande atelier, não é porque acredite que a amplidão do espaço seja uma condição indispensável para o trabalho, mas porque gostaria de receber com largueza alguns amigos. Enquanto Poty caminhasse entre meus painéis de cimento, quadros e desenhos, e todos esses objetos heteróclitos e afetivos que acabam indo para o ateliê, eu trabalharia em silêncio - como resposta ao imenso prazer de sua visita.
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Do livro Riachuelo, 266
quarta-feira, 7 de julho de 2010
da séria Sombras
O vemelho matizado de um muro-parede no Butantã me permitiu desenhar esse poste, a delicadeza das fiações e essas caixas de telefone, suponho, distribuídas simetricamente, à direita e à esquerda. Ao lado dessa sombra, contra o mesmo vermelho, a sombra de uma árvore debruçada sobre um riacho imaginário. Depois, em casa, monto o quebra-cabeça. Ainda não comecei a desenhar com nanquim, mas é provável que isso aconteça, mais cedo ou mais tarde. Por enquanto procuro estabelecer um diálogo entre preto e branco e cor, diálogo que dificilmente flui num mesmo conjunto.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Sombras
Da série Sombras, à qual me dedico agora, em São Paulo. Saio todos os dias, às vezes à noite, a cata de sombras, no chão, pelos muros, nas paredes dos edifícos, nos varais... Imagino um grande livro, com dezenas delas.
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Desenhar com a câmera é uma extensão do que faço no ateliê. Com a diferença de que com ela se desenha em bloco, de uma única vez. Das mais de cem imagens que fiz, algumas vão alimentar desenhos em nanquim. O livro talvez seja isso, esse híbrido de fotos e desenhos.
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As primeiras imagens vêm de anos, mas só agora o conjunto se configurou em algum ponto de minha mente. Tem sido um prazer estar atento mais às sombras do que às coisas elas mesmas.
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sexta-feira, 11 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Ícaro a carvão
Ícaro a carvão de um de meus cadernos de ateliê. Digo Ícaro, mas poderia dizer homem-borboleta, ou: o desejo de voar.
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quinta-feira, 3 de junho de 2010
cenário GUINGA
Maquete para cenário do show de Guinga, no próximo dia 10, no Teatro Guaíra. Serão dois conjuntos, em papelão recortado, no formato 360 X 220 cm. Entre cada placa, um espaço de 6 cm, chegando a um total de 50 cm de espessura, em média. Num deles, um enorme violão, no outro este músico-arlequim, inspirado da figura do cartaz do show. Ainda estudo a possibilidade de usar cor. Ou se me fio completamente no uso da luz.
terça-feira, 1 de junho de 2010
domingo, 30 de maio de 2010
segunda-feira, 24 de maio de 2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
O Grito e O Riso
Esta é mais um dos exercícios de meus cadernos de ateliê, feito a partir de um dos tantos convites de exposições que recebo. Se não me engano era uma exposição de Franz Krajcberg.
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Esses convites, que vão se acumulando pela casa e pelo ateliê, eu os vejo com intenção dupla: como matéria para colagens e como fonte de riso, já que a maioria deles vem acompanhada de textos os mais idiotas possíveis.
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Toda vez que leio textos de convites e catálogos, me pergunto como poderá tanta tolice ter se concentrado em torno do mundo das artes, especialmente das artes plásticas. Quando não são os especialistas, são os próprios artistas que disparam frases sem sentido para todos os lados, animados quase sempre pela crença fanática no sempiterno Conceito.
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O que me surpreende é o esforço enorme, visível em cada torneiro de frase, para conceber um texto tão vazio de significado, tão oco, tão nulo. Como não rir quando o autor dessas obras primas, além de expor publicamente seu nome, acrescenta a associação internacional de críticos de arte da qual faz parte, ou os prêmios que eventualmente tenha ganho, ou os cargos que exerceu?
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Prefiro mil vezes a pobreza desamparada da obra por si mesma.
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terça-feira, 18 de maio de 2010
Perdido Beco sem Saída
Uma marca da genialidade de alguns raros escritores é a capacidade de definir uma situação com apenas algumas palavras. Enquanto a maioria deles precisa de páginas e mais páginas para “debruçar-se sobre a alma humana”, como se diz, alguns poucos descobriram como fazê-lo com não mais do que meia dúzia de palavras. Com uma pincelada rápida a situação está armada, e o leitor se sente um refém do texto.
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Mas é um engano ver pressa e brusquidão num gesto longamente construído. A escrita, para esses escritores obstinados e rigorosos, é tratada com minúcia de botânico. Em suas mãos a linguagem aparenta-se com a flor. É um erro grosseiro ver tosquidão onde há delicadeza e dedicação.
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Um exemplo extremo dessa habilidade, em grande parte sintática, de incluir doses maciças de contexto em textos curtíssimos é Dalton Trevisan. Vinte ou trinta palavras são suficientes para evocar um mundo. Um mundo que surpreendentemente nos inclui, por mais desumano que pareça, por mais saudoso do passado que possa enganosamente parecer. Várias vezes lendo seus contos, ou poemas, me pergunto: quanto esforço terá sido necessário para fazer desse território comum que é a linguagem uma terra particular? Qual foi a paga para esse domínio inquestionável?
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A evocação a Curitiba, à qual o autor se autocondenou, ou ao seu vampirismo, podem não ser pistas falsas, mas ajudam muito pouco a compreender como ele chegou a esse uso a um só tempo rigoroso e poético da linguagem. Sim, porque é inegável que há poesia em tudo o que ele vem escrevendo, mas poesia que corta, que machuca o leitor. Ou, pior, uma poesia que chega ao limite de fundir ternura e sangue, como no conto do desequilibrado que mata meninos depois de molestá-los sexualmente, para enviar os anjinhos para o céu. Por alguns segundos o juízo é suspenso, e nos vemos feitos da mesma matéria de que são feitos esses personagens “desumanos” que certa crítica insiste em restringir à classe média baixa, quando não ao passado, erro ainda mais grosseiro.
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Naturalmente essa poesia pouco ou nada tem a ver com a poesia produzida pelos poetas brasileiros contemporâneos. Ela caminha na mão inversa de toda sorte de pirotecnias da poesia que se quer eternamente de vanguarda, assim como do sentimentalismo piegas dos versejadores de província. A poesia de Dalton, por uma ilusão de ótica, parece pertencer às coisas elas mesmas, como um atributo natural do homem. Mas quando pede para que ouçamos o canto que a casca vazia da cigarra no tronco da árvore evoca, é dele que vem o canto da cigarra retirada de lá antes mesmo que pudéssemos vê-la. E esses pequenos diálogos em que apenas um fala, embora sintamos a presença incontestável do outro, sinalizada minimamente pelo travessão e pelas reticências? É essa capacidade de animar o mínimo, de recolher os gestos que cotidianamente são desprezados como insignificantes ou condenados como vergonhosos, é esse procedimento, entre outros, que dá a cada um dos seus ais um vigor poético incomum.
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Esse domínio da arte de escrever, melhor, da arte de trazer o mundo para o que se escreve, é tão cristalino em Dalton que mesmo a atitude mais vil de seus personagens está carregada de um vigor positivo tão grande que somos levados a rever nossos parâmetros éticos, aceitando como humano gestos que prefeririamos atribuir aos animais. E aí entra outro ingrediente da poética do autor, poucas vezes percebido, através do qual o que é torpe, sujo e feio revela certa beleza, passando a ser aceito como parte do que somos: o humor. Como não rir quando a mulher reclama, ao final de um diálogo erótico, que o parceiro instruído por ela esqueceu, mais uma vez, de usar o chicotinho? Ou ainda, quando a mulher põe fim à enfiada de palavrões com que o marido a assedia: “Sou cadelinha. Sou putinha. Só me deixa pregar o botão nesta camisa. E daí sou tudo o que quiser.” Esse humor encapsulado é explorado em uma série de nuances, às vezes corrosivo, às vezes recatado, às vezes mesmo terno.
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Em outro de seus poemas, depois de comparar Guido Viaro a uma rua barulhenta de Curitiba e Poty à praça Tiradentes às cinco da tarde, Dalton diz de si mesmo: “E eu, mal de mim, esse perdido beco sem saída atrás da Catedral”. Embora trechos como esse possam ser tomados como confirmação de que o autor é um refém de si mesmo, como se diz repetidamente, prefiro ver nele a constatação de uma outra verdade. Para além do fato de que são reféns de si mesmos todos os escritores ou artistas que com sua obra deram significado ao nome que receberam, fica evidente aqui a coragem de fazer um auto-retrato sem pompa, sem adereço, que exclua todo o supérfluo.
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Se Viaro é uma rua barulhenta, onde todos se cruzam mas ninguém conhece ninguém, se Poty é uma praça, local de encontro de toda a fauna humana, ele, Dalton é um beco sem saída, onde se está irremediavelmente só, local onde os vampiros se escondem, poderíamos dizer. Mas não estamos falando de um vampiro, senão de um homem que laboriosamente foi construindo um conjunto de dutos e veias por onde circula seu sangue. O beco de Dalton, esse uso idiossincrático da linguagem, mais do que um não à metrópole curitibana, me faz pensar nos becos de Manuel Bandeira. Com a diferença de que o pernambucano via o beco pela janela, prosaicamente protegido pelo anteparo do vidro ou da sacada, enquanto Dalton o sente na tensão difícil entre os poucos corpos que se aventuram a percorrê-lo ou mesmo a habitá-lo. O beco é sujo, mal iluminado, esquecido na geografia da cidade, mas ele guarda vida, e o risco sempre iminente da morte.
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O que importa em Dalton é que o vigor do seu não tem um poder regenerador. Paradoxalmente, é do beco que vem o olhar menos provinciano, menos local, menos paranaense, um dos olhares mais vivos e maduros que o Brasil já teve. Por isso Curitiba tem tão pouca importância em sua obra, afinal Curitiba poderia ser Dublin, São Petersburgo ou Paris.
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Do livro Riachuelo, 266
sábado, 15 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
2 x Cartaz GUINGA 60anos
(clique na imagem para ampliá-la)
Foram feitas 80 impressões serigráficas desse cartaz, em papel canson branco, 220g. E 21 impressões em papel canson bege, 220g, como tiragem especial, numeradas de 1 a 21, assinadas. A partir de hoje eles começam a ser fixados em alguns locais da cidade, divulgando o show do próximo dia 10. Vida longa a Carlos Althier de Souza Lemos Escobar, o Guinga, nascido a 10 de junho de 1950 em São Sebastião do Rio de Janeiro.

Este o cartaz impresso para o show GUINGA 60 anos. A pintura é minha, assim como o projeto gráfico. A execução de arte, com muita criatividade e sugestões sempre sensíveis, é de Ivonete Santos, que está prestes a compreender o que quero telepaticamente. O mentor espiritual desse projeto lindo é meu irmão Robert Amorim. E também quem o viabilizou concretamente.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
A Mais Bela Flor
Desvendério
Esta a nova capa do livro Desvendério, do Chico dos Bonecos, que ilustrei para a editora Peirópolis. Usei a colagem do próprio texto original na composição dos desenhos. Para cada conto, o texto a ele correspondente. Desenho, recorte e colagem foram as técnicas que usei.
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domingo, 9 de maio de 2010
punk do Gabriel
.desenho de Gabriel, meu filho
Desenhos de crianças são uma maravilha. Nossa curiosidade nunca é suficiente pra perceber tanta invenção. Toda vez que vejo uma criança desenhando, invejo a desenvoltura dela - mas uma inveja boa, cheia de admiração. Queria pra mim essa desenvoltura sem travas, sem um tico de preocupação para onde as coisas vão. Para a esquerda, para a direita, para cima ou para baixo, que diferença faz... a vida está em todos os lugares.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
GUINGA 60 anos
Guinga, compositor e violonista inspirado pelos anjos, comemorará seus 60 anos em Curitiba, dia 10 de junho, no Guairão. Faço o material gráfico para o show, assim como o cenário. Ontem, na Gazeta do Povo, Luiz Claudio Oliveira escreveu um texto belíssimo sobre o músico carioca e seus convidados: Guinga escolhe Curitiba para festejar 60 anos .
Duas são as versões para cartaz, uma em serigrafia, com tiragem limitada, e outra impressa, com trabalhos distintos. A imagem que abre este blog é uma delas, a outra é a primeira da sequência de 4, acima. As outras são algumas das versões não usados.
Artes Plásticas/Bicicletas de Montreal
José Castello
“Partindo do quase-nada, Carlos Dala Stella não só fez um livro sensível e belo, mas nos ensinou alguma coisa a respeito da arte e da escrita. Teve as qualidades que formam o artista e o escritor: a paciência para esperar, sem saber o que se espera; a liberdade interior; a coragem para suportar o susto quando a coisa chega. Clarice Lispector, meio freudiana, dizia: o ‘isso’. Carlos não quis impor seu estilo, ou estabelecer significados. Limitou-se a aceitar aquilo que lhe vinha, sem nada pedir em troca, sem impor condições ou discriminar respostas, e foi por isso, só por isso, que fez um livro estupendo.”
Rascunho, março de 2003.
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Ubiratan Brasil
“O livro é composto de 35 fotografias e 44 trabalhos sobre papel, como desenhos, gravuras, recortes e colagens. A intenção, bem-sucedida, do artista plástico era estabelecer um diálogo entre as imagens, permitindo que a leitura não seguisse a ordem natural das páginas. Nesse sentido, o livro funciona como um grande quebra-cabeça que pode ser lido na ordem que se preferir.”
O Estado de S. Paulo, 19 de março de 2003.
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André Seffrin
“Com a máquina fotográfica em punho, ele pouco a pouco registrou essa alegria, esse nada. Depois, com nanquim, crayon, grafite, etc., em variantes técnicas que não excluíram a fotografia propriamente dita, chegou ao livro. Um livro que nos revela o artista ‘à disposição da infinita realidade’, ou seja, que nos revela o sentido da arte e o lugar do artista no mundo dos homens. Ele também escreveu para o livro um texto impregnado de poesia, quase agônico em sua inquietude. Em meio aos tantos embustes do panorama atual das artes plásticas, eis um nome que merece toda a atenção.”
Pasquim, 25 de março de 2003
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José Carlos Fernandes
“Não bastasse, as bicicletas de que se ocupa Dala Stella são um caso à parte, uma espécie de lixo industrial deixado ao tempo e ao vento em um país rico, sem serventia nenhuma. São, por isso, presas perfeitas para fazer uma variação de um único tema, idéia que persegue o artista não é de hoje. Carlos sempre trabalha uma idéia à exaustão, para conseguir, justo, o que alcançou com as velos. Não lhes falta, por isso, dramaticidade, lirismo, emoção e umas tantas narrativas sugeridas.”
Gazeta do Povo, 27 de fevereiro de 2003
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Diogo Sinhorotto
“Vendo as obras contidas em ‘Bicicletas de Montreal’, recordamos a poesia que pode ficar esquecida no corre-corre urbano. Além de belas imagens, Carlos Dala Stella pretende oferecer uma sonoridade: ‘Criei uma espécie visual, mas de grande apelo aos outros sentidos. As bicicletas são um pretexto gráfico para ouvir a música das rodas e das folhas’, comenta.”
Jornal do Commercio, 20,21 e 22 de abril de 2003.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
ícaro 3
Esta foi uma das primeiras telas em que usei simultaneamente óleo, acrílica, pastel, lápis de cor e carvão. Uma foto preto e branco dela ilustra O Gato sem Nome.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
O Gato Sem Nome
camada espessa de silêncio
emudece a manhã.
os significados se foram
apenas os olhos, sonolentos, beijam
com delicado ardor o que vêem.
se ao menos chovesse
a manhã fosse mais longa
o laranja dos hibiscos
incendiasse meu dia.
o sexo em mim avulta
todo desejo e manipulação.
nu, no ateliê, tateio
a superfície sonora do mundo:
relógio, passarinhos, vozes
esses eternos motores.
Poema e desenho de um de meus cadernos de ateliê, usados no livro O Gato sem Nome. Nesses cadernos escrevo e desenho quase diariamente. Iniciei o primeiro quanto tinha 18 anos, escrevendo sobretudo poemas. Hoje são mais de 10 mil páginas. Aos poucos o texto foi dando lugar ao desenho, às colagens, aos recortes. Meus cadernos agora são híbridos. Eles são a expressão de minha indentidade menos arranjada, por isso mais íntima.
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domingo, 2 de maio de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
Grafismo nº 2
Esse painel de cimento faz parte de uma série de 3. Também são 3 as telas que inspiraram a pintura desses grafismos em cimento. E, finalmente, 3 são os painéis de cimento e vidro com os mesmos grafismos, sem cor - com os quais sonhei e de onde partiu todo o processo. Na mesma época, levei esses grafismos para a serigrafia. Expus o conjunto na mostra Cimentais, na sala Miguel Bakun, hoje Casa Andrade Muricy, na década de 90.
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Grafismo nº 2
cimento e acrílica
100x70cm
R$ 3.800,00
(+ frete)
G
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Virgem e Santa Ana
Esta minha versão da Virgem e Santa Ana, de Da Vinci, mas sem o menino. Ela foi capa da primeira edição do romance A Suavidade do Vento, de Cristovão Tezza, pela Record. Também participou de várias exposições, entre elas Cimentais, minha primeira individual em Curitiba, em 1995.
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Virgem e Santa Ana
cimento branco estrutural
100x80cm
R$ 4.200,00
(+ frete)
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sexta-feira, 23 de abril de 2010
Terças Lúdicas
Inscrições pelo site http://www.caleido.com.br/

Dia 25 de maio acontece em Curitiba a primeira das TERÇAS LÚDICAS, vivências lúdicas para adultos, projeto de Adriana Klisys, da Caleidoscópio Brincadeira e Arte . Em São Paulo já foram sete eventos, sobre jogos africanos, colagem, brinquedos científicos, adereços de carnaval, bonecos de sucata articulados... Sempre com a presença de um especialista na área, no espaço Crie Futuros.
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A ludicidade é o tema, quaisquer que sejam os materiais usados, por isso o clima descontraído em que os encontros se dão. Muita gente boa tem participado - artistas, enfermeiras, advogados, professores, músicos, estudantes... Brincantes com as mais diversas formações, o que dá à proposta uma abrangência para além do espaço estritamente educacional.
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O tema desse primeiro encontro são algumas brincadeiras e jogos do livro QUER JOGAR?, com textos de Adriana e desenhos meus, a sair pelo SESC SP. E vai acontecer em meu ateliê, como os próximos, sempre com um convidado novo.
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Quem quiser receber o convite com os links para inscrição pode me escrever ou ligar (41 3374 4110). Ou escrever diretamente à Adriana, através do e-mail caleido@caleido.com.br (11 3726 8592). Teremos o maior prazer em recebê-los no dia 25 de maio.
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sexta-feira, 16 de abril de 2010
Insignificâncias
Esses estudos acabam descartados com o tempo, ou ficam por aí, pelos cantos do ateliê, empoeirados. Preparava uma série de desenhos para um livro do Chico dos Bonecos, descartei um recorte, que depois retomei, por brincadeira. Coloquei um papel de seda vermelho, no fundo, desses que se usam para fazer pipas e balões. Prendi tudo numa placa de isopor como suporte, usando pequenos pregos. Agora ele descansa sobre um balcão, no primeiro piso, entre outros objetos heteróclitos.
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Gosto da idéia de que a identidade é construída também dessas insignificâncias, desses descartes, desses desperdícios. Quanto aos atos heróicos, me nego a vê-los sem as lentes do riso, às vezes mesmo da ironia. Desconfio deles. Sempre preferi a alegria à tragicidade, o primeiro traço ao desenho pronto, a hesitação do que está por nascer ao bem composto, ao aprumado. As insignificâncias de um dia ensolarado - como o de hoje - dizem mais do que toda uma vida de compostura.
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domingo, 11 de abril de 2010
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